Descobrir tudo sobre uma pessoa

Neil Gaiman - Os outros (de Coraline, American Gods, a Morte e muitos outros)

2020.10.28 22:24 Btoluis Neil Gaiman - Os outros (de Coraline, American Gods, a Morte e muitos outros)

Neil Gaiman - Os outros (de Coraline, American Gods, a Morte e muitos outros)
Os Outros - Neil Gaiman
“O tempo é fluído aqui,” disse o demônio. Ele sabia que era um demônio no momento em que o havia visto. Ele apenas sabia, do mesmo jeito que ele sabia que aquilo era o inferno. Não havia nenhuma outra coisa que cada um deles pudesse ser.
O salão era amplo, e o demônio esperava próximo de um braseiro fumegante bem ao fim. Havia uma variedade de objetos pendendo nas paredes de granito, objetos cuja inspeção mais detalhada não seria algo sábio, e tão pouco reconfortante. O teto era baixo, o chão, estranhamente irreal.
“Aproxime-se”, disse o demônio, e ele o fez. O demônio era magro como uma vara e estava nú. Ele tinha muitas cicatrizes, parecia ter sido esfolado em algum momento num passado distante. Não tinha orelhas nem genitais. Os seus lábios eram finos e ascéticos, e os olhos eram olhos de demônio: tinham visto demais e ido muito longe, e frente ao seu olhar ele se sentiu menor que uma mosca.
“O que acontece agora?”, ele perguntou.
“Agora”, disse o demônio, numa voz sem nenhum pesar, nenhum deleite, apenas uma terrível e monótona resignação, “você será torturado”.
“Por quanto tempo?”
Mas o demônio sacudiu a cabeça e não respondeu nada. Ele caminhou vagarosamente ao longo da parede, observando um e outro utensílio ali pendurados. Bem ao fim da parede, próximo a porta fechada, havia um açoite feito de arame entrelaçado. O demônio o pegou com sua mão de três dedos e andou de volta, carregando-o reverentemente. Ele posicionou as pontas do arame acima do braseiro, e as observou fixamente enquanto elas começavam a se aquecer.
“Isso é inumano”.
“Sim.”
As pontas do açoite brilhavam num laranja fosco.
Ao levantar o braço para a primeira arremetida, ele disse, “Mais adiante você se lembrará até deste momento com carinho”.
“Você é um mentiroso.”
“Não”, disse o demônio. “A próxima parte,” ele explicou, um instante antes de baixar o açoite, “é pior”. Então as pontas do açoite se chocaram nas costas do homem com um estalido e um chiado, rasgando através das roupas caras, queimando, cortando e rasgando o que tocavam e não pela última vez naquele lugar, ele gritou.
Havia 211 instrumentos naquela parede e ele experimentaria cada um deles no seu próprio tempo. Quando, finalmente, a Filha do Lazarento, que ele acabou conhecendo intimamente, foi limpa e recolocada na parede na duodécima primeira posição, só então, através dos lábios rachados, ele cuspiu, “E agora?”
“Agora,” disse o demônio, “a verdadeira dor começa.”
E começou.
Tudo o que ele havia feito, que teria sido melhor deixar por fazer. Toda mentira que ele contou – para si mesmo ou para os outros. Cada pequena dor e todas as grandes dores. Cada coisa foi puxada de dentro dele, detalhe por detalhe, centímetro a centímetro. O demônio o despiu da proteção trazida pelo esquecimento, despiu tudo até chegar a verdade, e aquilo doeu mais do que qualquer outra coisa.
“Diga-me o que você pensou quando ela saiu porta afora,” disse o demônio
“Eu pensei que o meu coração havia se partido.”
“Não”, disse o demônio, sem ódio algum, “você não pensou isso”. Ele o olhava com olhos inexpressivos, e ele foi forçado a desviar a vista.
“Eu pensei que ela nunca iria descobrir que eu estava dormindo com a irmã dela.”
O demônio desconstruiu a vida dele, cada momento, cada terrível instante. Durou cem anos, quem sabe, ou mil – eles tinham todo o tempo que existia, naquele salão cinzento – e próximo ao fim ele percebeu que o demônio estava certo. A tortura física tinha sido mais gentil.
Finalmente, havia terminado.
E uma vez que havia terminado, começou novamente. Havia um auto-conhecimento que ele não tivera da primeira vez que, de alguma forma, fazia tudo ainda pior.
Agora, enquanto ele falava, ele se odiava. Não havia mentiras nem evasivas, nenhum espaço para nada exceto a dor e a raiva.
Ele falou. Não chorava mais. E quando terminou, mil anos depois, ele rezou para que o demônio fosse à parede e trouxesse a faca de esfolamento, ou o sufocador, ou a morsa.
“De novo”, disse o demônio.
Ele começou a gritar. Ele gritou por um longo tempo.
“De novo”, disse o demônio, quando ele havia terminado, como se nada tivesse sido dito.
Era como descascar uma cebola. Dessa vez ele aprendeu sobre conseqüências. Ele aprendeu sobre o resultado das coisas que ele havia feito; coisas para as quais ele havia estado cego quando as fez; as maneiras que ele havia machucado o mundo; o dano que ele havia feito a pessoas que ele não conhecia, ou que nunca havia visto, ou encontrado. Foi a lição mais difícil.
“De novo”, disse o demônio, mil anos depois.
Ele se curvou ao chão, ao lado do braseiro, ninando-se gentilmente, os olhos fechados, e contou a estória da sua vida, revivendo-a enquanto a contava, do nascimento a morte, sem mudar nada, sem omitir nada, enfrentando tudo. Ele abriu seu coração.
Quando havia terminado, se sentou ali, os olhos fechados, esperando a voz dizer “De novo”, mas nada foi dito. Ele abriu seus olhos.
Vagarosamente ele se levantou. Estava só.
Do outro lado do salão havia uma porta, e ela se abriu enquanto ele olhava.
Um homem entrou através da porta. Havia terror na face do homem, arrogância e orgulho. O homem, que vestia roupas caras, deu muitos passos hesitantes na sala, e então parou.
Quando ele olhou para o homem, ele entendeu.
“O tempo é fluído aqui”, ele disse.
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2020.10.28 21:23 the_loneliestnumber Importância: a que a gente dá versus a que a gente recebe.

Eu acho que quando você é uma pessoa solitária, você acaba dando muito valor pros poucos amigos que você tem. Adulto e mais maduro, eu sou muito mais sociável e simpático do que era antes, apesar de continuar introvertido, mas o apego que eu sinto por meus amigos ainda é monstruoso. Eu já passei por muita coisa na vida, já conheci pessoas de vários caminhos e tive experiências diferentes, enfrento meus próprios demônios todos os dias e sei que tenho uma força gigante em mim. Apesar dos meus pensamentos destrutivos, sei que tenho inúmeras qualidades e pessoas que me amam e botariam a mão no fogo por mim. E pra essas pessoas, eu não faria nada menos.
Então foi bastante triste quando eu percebi que a importância que eu dou pra certas pessoas é muito maior do que a que elas dão pra mim. Sabe quando você vê uma coisa legal e logo na cabeça você pensa em alguém? Sabe quando você fica com vontade de sair com alguém e você já sabe quem você gostaria de ter por perto? Sabe quando você sente que quer desabafar algo e pensa logo naquela pessoa que você super confia? Sabe aquela pessoa que você apoiou nos maiores momentos de dificuldade, aquela pessoa pra quem você disse: "Qualquer coisa, eu tô aqui, nunca esqueça disso"? Poisé, eu descobri que a recíproca não é verdade.
É você se oferecer pra dar uma carona pro hospital e perceber que na mesma ocasião a outra pessoa não faria o mesmo por você. É você chamar a pessoa pra jogar com você e ela se esquecer de te chamar. É você ser aquele ombro amigo pra alguém e esse alguém desaparecer depois de se sentir melhor. É você dividir a sua vida com alguém e ao mesmo tempo não saber nada sobre a pessoa por ela só te afastar e nunca te falar o que passa na cabeça dela. É você marcar de ver a pessoa depois da aula e descobrir que ela já tinha ido embora a muito tempo e nem fez questão de te avisar. É perceber que outra pessoa realmente não precisa de você. Quando você se toca que essas pessoas, que passam na sua cabeça várias vezes durante o dia, provavelmente não pensam em você.
Sabe, o sentimento de ser trocado, de ser insignificante. As vezes você tem um dia maravilhoso na companhia daquela pessoa e ela nem se lembra.
Hoje é meu dia do bolo na vida real e inúmeras pessoas pra quem eu desejei parabéns, pessoas que eu chamei pros meus aniversários passados, pessoas cujos aniversários eu participei; essas mesmas pessoas simplesmente ignoraram. É algo pequeno que dói que nem uma faca quente.
Deixando de lado a poesia, basicamente isso tudo aconteceu comigo. É péssimo se sentir a segunda opção da amizade de alguém, mas pior ainda é perceber que você nunca foi opção. Perceber que aquela pessoa que você acha tão legal e pra quem você dá tanta importância, não te enxerga como mais que uma nota de rodapé. Isso é uma merda. Ficar no vácuo, ser esquecido, ser substituído. É muito escroto. E tipo, eu sei que isso são só algumas pessoas e que a maioria dos meus amigos não são assim, mas as vezes eu fico pensando: e se os meus outros amigos enjoarem de mim? E se for tudo uma questão de tempo? Claro que as pessoas tem as suas vidas, as suas preocupações e é um pensamento egocêntrico achar que as pessoas tem a obrigação de separar um tempo pra mim só porque eu faço o mesmo. Ninguém deve nada pra ninguém, só pra agiota. O desocupado que tenta incluir os outros sou eu mesmo. Talvez eu realmente não devesse me importar tanto assim, mas eu não consigo. Eu sei que eu não sou nenhum salvador do mundo: eu não vou sozinho salvar a amazônia, nem a economia, nem acabar com o preconceito no mundo, nem erradicar a fome, mas o mínimo que eu posso fazer é ajudar meus amigos e me preocupar com eles. Talvez fazer o dia deles melhor e não ter que esperar nada em troca.
Sei lá, era só isso mesmo. Se cuidem aí, moçada.
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2020.10.28 19:28 SatokoHoujou "Descobri que sou trans, e agora?" Update do meu post de 6 meses atrás

TW: transfobia. TL;DR abaixo.
6 meses atrás (ou quase) fiz um post aqui relatando ter me descoberto trans, compartilhando minhas angústias, meus medos e pedindo por sugestões. Continuo usando pronomes masculinos porque sim. Depois de meses bem turbulentos, finalmente tomei a coragem para dar os primeiros passos, mas infelizmente minha situação ainda está longe de ser boa, e por isso venho novamente compartilhar minha experiência e pedir ajuda.
Primeiro, vamos começar por uma citação do meu post original:
"eu acredito que com tempo ele [meu pai] aceitaria. Minha mãe eu sei que aceitaria, se não fosse pela questão da insegurança e dificuldade de arrumar emprego. Por isso, tenho certeza que ela iria me desencorajar e dizer que é só uma fase. "
Meu. Deus. Do. Céu. Que cagada eu aprontei!!! Subestimei a transfobia (ou simplesmente o medo pela mudança) e piorei absurdamente minha situação. A pior parte dessa experiência de transexualidade para mim foi descobrir que as pessoas não gostam de seus amigos/familiares, eles gostam da imagem que eles próprios tem da pessoa em questão, e essa imagem deve ser sempre estática e imutável. Qualquer tentativa de mudança é mexer com os próprios valores e crenças, portanto dificilmente há uma abertura para o diálogo ou para tentar entender o diferente.
Pois bem, no começo de maio eu criei coragem e contei para minha mãe. Tinha certeza absoluta de que ela no máximo reagiria neutra, ao estilo de "não gostei, mas faça o que te fizer feliz". E em um primeiro momento foi exatamente essa a reação dela (disse que eu podia fazer o que me fizesse feliz), óbvio que senti um alívio extremo, mas como diz o ditado, alegria de pobre dura pouco. No outro dia, eu acho que ela fez algum tipo de pesquisa sobre isso, e como não deve ser de espantar, só apareceram notícias de "travestis mortas e desaparecidas", ou sobre preconceito enfrentado.
Neste paragrafo eu quero enfatizar o quanto eu tentei argumentar com ela de que este final trágico não vai ser o meu fim. Eu tentei explicar de maneira didática, expliquei a diferença sobre transição médica e social, e que a princípio eu não pensava em fazer a social, e que enquanto eu não fizer mudanças drásticas, as pessoas ainda me enxergaram como um homem qualquer. De nada adiantou, e houve algumas semanas torturantes em que quase todo dia ela encontrava uma notícia de "trans é morta" e vinha me mostrar, e ficava gritando comigo: "é isso que você quer pra você? morrer pra nada? é só isso que acontece com essa gente, se prostitui e morre como se fosse um lixo". Porra, ouvir isso machucou demais. Nem só por mim, mas pela falta de empatia mesmo. Como se isso já não bastasse, tive que ouvir algumas boas vezes que "vou me tornar um monstro", e ela usou a palavra "estranho" e "esquisito" para descrever pessoas trans tantas vezes que eu peguei um trauma com essas palavras aí. O problema dela não é só com trans não, tudo que foge de qualquer normatividade pra ela é "ridículo, digno de risada". Tipo uma mulher na casa dos seus 40 com piercing e roupa curta que ela ficou debochando. Eu retruquei dizendo, "se ela paga suas contas e não faz mal a ninguém, que mal tem se vestir como quer?" E ela simplesmente respondeu que "existem regras sociais a serem seguidas, e que tudo bem ela bancar papel de palhaça, desde que ela tenha ciência disso". Que pensamento é esse, galera? Para tudo porque eu quero descer. Quero é distância de gente assim. Não tem como viver uma vida em função de outras pessoas não rirem de nós. Que vida é essa?
Até aqui foram só reclamações e relatos, certo? E o que isso tem a ver comigo? Porque isso me afetou tanto? Bem, eu tenho predisposição a ter muitos problemas de pele, os quais dermatologistas já me disseram que "ativam" devido a estresse. Além disso, também sofro de gastrite nervosa, que só aparece com estresse. E foi esse o resultado de ter contado para ela até o momento, me fodi lindamente induzindo dois problemas de saúde os quais está impossível me tratar. Ainda tive a sorte de ter tido uma reação alérgica a um creme depilatório em maio, já gastei mais de 500 reais com consulta e antibiótico e longe de conseguir sarar. Ou seja, em vez de ter dado um passo para frente, eu sinto que dei dez para trás. Isso tudo sem nem ter contado ao meu pai, só imaginem quantos passos para trás vai ser quando contar? Ou quando minha mãe contar, porque ela já fez essa ameaça várias vezes. Não é "justo" eu iniciar TH sem ao menos falar algo para ele. Outra coisa que diria que piorou uns 99% meu emocional foi ter que ouvi-la falar várias vezes que pretende cortar contato comigo, que "não quer me ver parecendo uma mulher". Isso acabou comigo por alguns dias, talvez seja até o melhor a se fazer mesmo, mas eu realmente estava sem preparo para escutar isso.
Considerando isso tudo, o pouco de notícia boa que pude acumular nesses meses é que finalmente comecei depilação a laser no rosto, fiz 2 sessões até o momento e os resultados estão aparecendo bem rápido. Interessante notar que quanto a isso minha mãe não tem nenhum problema, até disse que me ajudaria a pagar caso eu não consiga pagar (vida de estágio). Quanto ao meu pai, disse para eu "pensar bem porque barba está na moda". Acho que não tem nada que dê pra fazer sutilmente para dar umas dicas mesmo não, as pessoas simplesmente não consideram essa possibilidade. Acho que só funcionaria se eu aparecer de saia e batom.
A outra boa notícia é que hoje mesmo eu fui em uma consulta no SUS. Essencialmente foi para resolver esses dois problemas (da infecção e da gastrite), mas decidi pedir um encaminhamento para o ambulatório trans aqui da cidade. Relatei sobre a gastrite por causa do estresse, falei da infecção por causa do creme depilatório, e conclui minha fala mais ou menos assim: "essas duas coisas têm relação com uma terceira coisa que eu gostaria de comentar... que é que eu quero um encaminhamento para o ambulatório trans". Wow! Olhem para mim! Ontem mesmo estava com pavor da ideia, e lá estava eu me abrindo com quem estava me atendendo, que eram três estudantes de medicina e a médica, professora deles. O atendimento em si foi excelente, eles foram todos muito profissionais e simpáticos. Nunca tinha feito uma consulta pelo SUS e em breve farei um exame de sangue e terei um retorno. Quanto ao meu pedido, eles fizeram o encaminhamento, é agora é só esperar.
Claro que minha situação não melhora apenas esperando até ter uma consulta no ambulatório... porque agora vem a dúvida cruel. O que fazer? Começar escondido ou esperar sabe-se lá quanto tempo até poder sair de casa? Digamos que agora eu já devo estar sob suspeita com minha mãe, então dei um tiro no próprio pé. Fica aqui meu pedido a quem estiver no armário: pensa, repensa, e repensa de novo umas mil vezes antes de contar para alguém, principalmente, claro, aos pais. Sério, não fazemos ideia mesmo do preconceito que as pessoas tem com trans. O problema mesmo é uma coisa que disse no meu outro post: "o filho do vizinho ser gay tudo bem, o meu não." Agora multipliquem a potência dessa fala por dez e temos a não aceitação da transexualidade.
Bem, e cá estamos, fui receitado um antidepressivo para ajudar com ansiedade e também com a própria gastrite, visto que a causa é estresse. Então pelo menos estou feliz a respeito do antidepressivo, é algo que sinto que precisava há bastante tempo. E a dúvida cruel persiste: o que fazer? Começar às escondidas ou não? Contar para meu pai ou não? Estou completamente sem rumo, sem saber o que fazer, só desejo poder sair de casa o mais rápido possível, mas esse dia parece ainda ridiculamente longe... e pensar em ficar esse tempo todo sem TH é angustiante.
Tens aí minha jornada de 6 meses de dez passos para trás e um para frente.
TL;DR: contei pra minha mãe que sou trans, rolou uma treta maligna em casa e agora estou com vários problemas de saúde por causa de estresse. Pedi encaminhamento para um ambulatório trans, e agora estou na dúvida eterna se começo TH ou não às escondidas.
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2020.10.27 12:43 CODENAMEFirefly Abandono

Oi Reddit, descobri esse sub a alguns dias e venho querendo desabafar desde então. Hoje estou aqui durante minha aula e decidi que quero compartilhar um pedaço da minha história.
A parte ruim: Eu tenho síndrome de abandono, algo muito detrimental que eu adquiri ao longo da história, começando pela minha família e se agravando depois do EM. Suponho que vou começar explicando isso primeiro. Boa parte de tudo isso é conturbado, meu cérebro bloqueou algumas memórias e eu não consigo lembrar nem que me contem, mas o que eu sei é, eu sou filho de uma traição dupla (meu pai traiu minha mãe e a mulher com quem estava), até aí tudo bem, nada de tão único, mas isso levou a uma infância conturbada, por mais que minha mãe tentasse eu sempre fui muito fisicamente parecido com meu pai (por sorte meu pai é bonito, mais do que eu por sinal) e ela nunca se recuperou muito bem da traição, eu nunca consegui me conectar com meu pai, em parte pela história, em parte pelo fato da minha madrasta ter ódio mortal de mim a ponto de ser violenta. Para agravar um pouco a situação, durante o EM eu me tornei extremamente instável mentalmente, namorei uma garota que, antes de namorar, foi minha amiga por 3 anos e depois(até onde eu sei, as memórias aí são extremamente turvas) me estuprou, se arrependeu e ainda tentamos manter o relacionamento por mais 2 anos depois disso. Durante essa época eu tive diversas crises de depressão e ansiedade e isso estava fazendo mal a ela, apesar de ser enfermeira e formada em área de doenças mentais, ela não tinha a capacidade mental para lidar comigo naquela época, então terminei o namoro, tentando preservá-la (já não estávamos indo bem de qq forma e claramente eramos mais um casal de amigos do que namorados). O problema é que depois disso ela sumiu, desapareceu, sem dar sinal, mensagem, telefone nem nada. Tudo bem, é uma escolha dela, eu acho. Eu tentei de tudo, aparecer na casa dela, ela tinha sumido e os pais só me disseram que iam chamar a polícia se não saísse, tentei conversar com os líderes da igreja dela para ver se eu conseguia ao menos notícia e mesmo assim nada, só fui proibido de entrar na igreja. Até hoje eu tento descobrir o que aconteceu com ela, queria fazer as pazes (não voltar a namorar) e ao menos entender um ao outro de novo e, quem sabe, recuperar mais uma dessas amizades de whatsapp/facebook em q não nos falamos nunca. Vira e mexe eu tenho crises sérias com relação a isso, não sei o pq eu me importo tanto com o fato dela ter sumido e pq queria tanto fazer as pazes. O resultado dessa merda toda? Fora a depressão, a eventual crise que me incapacita de sequer sair da cama e o padrão de sempre, eu não consigo falar com ninguém que eu considere superior (chefe, entrevistador, pessoa mais velha, professor...) sem ter uma crise de ansiedade, a última vez que eu fui para uma entrevista de emprego, eu parecia uma poça d'agua suando e passando mal durante a entrevista toda, por algum milagre consegui o emprego mas no dia de assinar o contrato eu comecei a chorar desesperadamente e simplesmente saí correndo (e pedindo desculpas) e fiquei uns 40m vomitando na rua até desmaiar em uma parada de ônibus. Fun times.
A parte boa:
Durante uma das minhas crises logo depois da ex sumir (a depressão me fez perder 13kg por mês, era gordo, hj sou até sarado), eu me enfurnei em qq lugar que podia me oferecer ajuda, um desses lugares era a igreja do meu melhor amigo, era um buraco sem noção, a primeira vez que fui, achei que ia ser sequestrado, ficava em um beco escuro do entre um depósito de lixo clandestino e uma fábrica de ração. Apesar de tudo foi o lugar onde eu mais recebi amor. Não sou evangélico, apesar de ter minha crença em Deus, sou contra a maior parte da Bíblia e adoro contestar crente só para ser chato, mas estava precisando de amor e lá recebi amor. Nessa igreja eu conheci uma garota, parecia filme da Disney, eu estava lá, com cara de quem não dormia direito, cantando uma música que ninguém mais conhecia e de repente ela entra cantando a outra parte e esses dois estranhos lindos de morrer (nós somos muito bonitos pqp) cantam juntos uma canção que ressoa no coração deles. Foi coisa de filme, mas ela era 6 anos e meio mais nova que eu, foda, pra kct, eu tinha 21 e ela tinha acabado de fazer 15. Foi uma época interessante da minha vida, depois de muita pesquisa sobre pedofilia, crise de identidade e psicólogo, eu decidi que ia seguir em frente com aquilo, me sentia apaixonado como nunca antes e isso me deu um novo propósito. Na época, a diferença era grande, uma garota de 15 e um cara de 21 é uma diferença muito grande, hoje que tenho 27 e ela 20 todo mundo já acha normal. OBS: Eu tenho que citar aqui pq se até eu que estava apaixonado achei estranho namorar uma garota de 15 imagina vcs que tão lendo. Eu decidi que iríamos namorar por 1 anos sem sequer nos beijarmos, pq queria mostrar pra mim, para ela e para nossas famílias que minhas intenções eram boas, depois desse ano eu ainda sugeri aumentar o período para até ela fazer 18, para mim não importava por tanto que eu pudesse estar ao lado dela. Eu não apoio de forma alguma namorar pessoas tão mais novas, não façam isso. Esse período foi uma época bem sobrenatural e eu adoraria compartilhar com vocês dps, mas o texto já ta grande pra kct. Hoje eu e ela temos uma empresa, de identidade visual e tecnologia, a empresa abriu esse ano então ainda estamos começando mas o sustento está vindo, fazemos sites, capas de livros, cartões e qualquer outra coisa relacionada a programação ou arte. Amo trabalhar com ela, amo viver com ela, amo minha vida, desenvolvi uma maturidade emocional que nunca imaginei ter, posso dizer fielmente que sou feliz, mesmo que diariamente me pegue querendo morrer e/ou voltar no tempo e refazer minha vida, a depressão é, e vai para sempre ser, um fantasma nos meus ombros, mas hoje eu venci de novo.
Ps. Não foi fácil, mais de 5 anos de relacionamento, 3 tentativas de suicídio, 200 milhões de crises e tudo o mais que a vida pode jogar em nós. Segue em frente, eu posso contar depois a nossa história de relacionamento e como você e/ou seu significant other podem fazer para conviver em harmonia apesar de problemas mentais e financeiros, acho que vou chamar de "Como conquistar uma e-girl" kkkkk.
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2020.10.27 00:17 todorokeyshoto Um "fora" que me deixou um pouco mal: Homens gay/bi podem ser bem cruéis

Acompanhei meu amigo num torneio de um jogo que ele joga nesse último final de semana. Chegando lá, conheci um amigo do meu amigo que também ia participar do torneio. Eu sou um menino bi, e esse menino é gay. Como eu achei ele bonitinho, contei pro meu amigo que fiquei interessado nele. No outro dia, meu amigo me falou que ele estava pedindo algumas fotos minhas, já que no evento ele só tinha me visto de máscara, e ele mandou as fotos. Hoje, por curiosidade, fui perguntar ao meu amigo o que ele tinha falado, esperando descobrir que ele ou me achou bonitinho e ficou interessado também ou então que não estava afim, ambas respostas possíveis e aceitáveis. Porém a resposta dele me deixou um pouco mal. Ele disse que consultou "as fontes dele" (provavelmente amigos em comum) e "descobriu que eu era passivo" e que "a cota de comer ** dele do ano já acabou". Minha preferência na hora do sexo não faz diferença nenhuma aqui, eu não me considero passivo (então nem sei daonde ele tirou isso kkkkk) porém mesmo que eu fosse, esse não é o ponto. Ele não se deu o trabalho de conversar comigo, de perguntar sobre meus gostos, de pedir uma rede social, de tentar pelo menos me conhecer, ou então, por outro lado, ele nem mesmo disse "Não me senti atraído", e simplesmente me rejeitou porque eu não fazia o tipo dele. Ele me rejeitou por causa de uma suposição idiota e me rejeitou porque "a cota dele estourou". Me senti bem mal porque fui reduzido a um pedaço de carne que pra ele não servia porque ele achou que eu não seria capaz de cumprir uma função que ele queria de mim. Ele agiu como se eu fosse um animal atrás de sexo e como pra ele não servia ele jogou fora. Eu sei que isso não tem nada a ver comigo, e sim, o babaca foi ele, e eu obviamente não vou ficar sofrendo por um estranho que me rejeitou, mas a maneira como ele tratou minha aproximação me fez refletir. Muitas vezes homens gays e bis são bem cruéis no quesito relacionamento, tratam um ao outro como objeto e isso faz muito mal pra autoestima dos outros. As vezes parece que nunca vou conseguir amar e ser amado de volta porque sempre vai ter uma lista de coisas que eu não consigo cumprir superficialmente e isso já vai me fazer ser descartado. De tudo acho que eu queria deixar de mensagem: Sejam gentis com quem se interessa por vocês, pode ser que você não tenha interesse nenhum, o que tá tudo bem, mas lembre que é uma pessoa ali que abriu uma sensibilidade pra você.
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2020.10.25 02:54 queenl1zzy A amiga do meu namorado

Bom, namoro faz 10 meses e meu namorado até então tem uma amiga. Eles são amigos deve ter uns 3 anos. Eu, como é o comum de qualquer relacionamento, senti ciúmes em saber da existência dessa amiga e ainda descobrir que ela considera ele melhor amigo e que ele costumava considerar ela melhor amiga também, mas após começar a namorar comigo ele diz que eu sou a única melhor amiga dele (até aí ok). Mas eu comecei a me incomodar bastante com ela quase sempre chamando ele pra jogar e o pouco tempo que tenho disponível pra fazer com ele acaba ele jogando com outras pessoas e algumas vezes com essa garota.
Recentemente ela vem chamando bastante ele pra jogar (vale ressaltar que ela namora também), eu fico chateada pq ela tem o namorado dela e o tempo que eu tenho pra ficar com o meu ela acaba tirando isso de mim. Anteontem era véspera do nosso aniversário de namoro e ela chamou ele pra jogar e ele aceitou ir jogar dps de ter dormido o dia inteiro e eu achei que ele iria fazer algo comigo até dar meia noite e ser o nosso dia. Eu acabei indo perguntar a ele quando iriamos pode ficar juntos e ela ouviu tudo o que ele tava me respondendo pq estava em ligação com ele enquanto jogavam. Dps de terem acabado de jogar ela mandou mensagem pra ele dizendo que preferia se afastar pq não iria passar por cima do nosso relacionamento. Mas ele falou que ia ver se eu me tocava com tudo isso e mudava, então ficou aberto sobre isso de pararem de se falar ou não.
Porém, ele me disse que ela provavelmente não iria mais falar com ele, e eu espero que aconteça isso pq acredito que é melhor assim. Ele me contou que ela não ajudou ele quando ele estava em um relacionamento conturbado, só diminuiu o que ele sentia e fez ele se sentir um idiota por ir buscar ajuda. E isso foi como se fosse uma resposta pra mim pro sentimento inexplicável que eu tinha sobre ela. Ele tem algumas outras amigas que pedem ajuda na hora de jogar e etc, mas não me incomodava tanto quanto essa me incomoda. Enfim, ele me contou sobre isso, de que ela não o ajudou quando precisou e que só chamou ele de trouxa, que ele era um idiota por deixar ela (a ex dele) fazer isso com ele). Resumindo, a amizade deles foi algo que ele ajudava ela quando ela precisava mas ela não ajudou quando ele precisou. Então ele só jogava com ela pra se distrair e não compartilhava de problemas pessoais já que sabia que ela iria ridicularizar a situação. E eu acredito nele, pois ele já me contou sobre o relacionamento anterior, só gostaria que ele tivesse dito sobre isso antes pra me tranquilizar, mas ele não gosta de tocar muito nesse assunto pq faz mal e eu entendo totalmente.
Eu tô pensando nisso até agora, e queria um comentário de alguém de fora disso, se isso seria algum sexto sentido por minha parte de "sentir" que tinha algo de errado com essa amizade e que a garota não era tão boa quanto parecia ser ou é só imaturidade da minha parte em achar que é melhor que ela se afaste mesmo já que não foi uma amizade que agregou na vida dele e só o fez afundar no momento que ele precisava de apoio dos amigos e também de certa forma tá atrapalhando nosso relacionamento. Por favor, quero opiniões de alguém sobre isso. Desculpa pelo textão e obrigada por quem leu até aqui!
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2020.10.23 16:13 __november Indo pro Brasil para Natal - boa ideia?

Oi pessoal,
Primeira coisa desculpa para meu portugues, eu nao sou Brasileiro. Eu penso em indo para o Brasil esse Natal com a minha namorada (ela é Brasileira). A gente mora na Franca agora e ela quer voltar para o Natal. Eu estou aqui perguntando porque eu quero a opinao dos Brasileiros e nao do Google, sobre o situacao do virus. Parece que esta fincando melhor e nas 3 semanas passadas tinha menos casos do que tinha na Franca (mas isso e a verdade ou ninguem ta relatando os casos?). To com medo pq e bem longe do meu pais e nao quero ficar doente sem minha familia perto etc.. mas eu nao sei, é muito importante para ela (faz bastante tempo que ela nao viu os parentes) e tambem parece que nao vai ser uma segunda onda pq o governo nao fechou nada ne? Eu tambem quero descobrir o Brasil (mas com cuidado, claro, tipo nao quero ficar no boteco com 30 pessoas perto de mim). Talvez o situacao em duas meses vai ser mais tranquilo? Voces podem me avisar como vao as coisas ai? se eu for cuidadoso talvez tudo vai dar certo?
Muito obrigado gente
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2020.10.19 16:32 todorokeyshoto Talvez eu esteja apaixonado pelo meu melhor amigo

Em primeiro lugar: adorei descobrir esse subreddit porque eu só conhecia subreddits de desabafo em inglês, e nada melhor que falar sobre sentimentos em português kkkkkk. Pra vocês entenderem melhor o contexto, preciso voltar um pouco na minha vida. Enquanto eu crescia, vamos dizer por aí 11~12 anos, eu nunca tive muita facilidade em manter amizades com meninos. Na verdade, eu tive 2 bons amigos meninos, que eventualmente me trocaram por outros amigos ou só se distanciaram por coisas da vida mesmo. Eu nunca tive um melhor amigo que deixou eu ser carinhoso e afetuoso em relação a ele. Talvez por ser bem claro que eu sou bi, eles se sentiam desconfortáveis de alguma maneira. Por favor, eu não sou um assediador de amigos, eu não to aqui pra reclamar que meus amigos héteros não estão me dando bola, estou falando sobre como eu enquanto homem bi, nunca fui ensinado a ter liberdade com outros amigos homens pra demonstrar carinho. Essa cultura eu sei que é uma cultura muito masculina, independente deles respeitarem minha sexualidade, mesmo se eu fosse hétero, homens são ensinados a não aceitarem carinho de outros homens. Pois bem, agora vamos pular um pouco no tempo. Quando eu entrei no ensino médio, em 2016, fiz amizade com um menino hétero, que rapidamente se tornou um dos meus melhores amigos. Em 2017 ele se afastou um pouco porque tava passando por um momento difícil então acabou se fechando pra todos. Porém, de 2018 até hoje, nós não nos desgrudamos pra nada. Ele foi a primeira pessoa que eu vi assim que a pandemia diminui bastante na minha cidade depois de 6 meses, eu durmo na casa dele, viajo com ele, a gente sai juntos, basicamente toda lembrança feliz que eu tenho da minha adolescência é ou por causa dele ou pelo menos contém ele presente. Esse amigo é também bem receptivo de carinho, ele é meio chato com toque kkkk, porém ele não liga que eu abrace ele muito, faça cafuné, deite no colo dele, nem que eu demonstre carinho com palavras e outras ações, e ele retribui também, não na mesma intensidade que eu, mas pra ser tão grudento igual eu é difícil também kkkkk. Meu ponto é: Ele é possivelmente a pessoa que eu mais amo no mundo, que me dá carinho, que aceita o meu carinho, que me faz muito bem, eu converso com ele todo dia por horas e etc. Meus sentimentos estão ficando um pouco embaralhados. Eu não cresci sabendo diferenciar um melhor amigo de uma paixão, porque pra ser sincero, nunca fui ensinado a amar outros homens não-romanticamente, ou eu gostava de alguém romanticamente ou então era só uma amizade fria, não podia amar meus amigos, então eu não sei mais dizer o que é um sentimento de amizade e um sentimento de paixão, porque pra mim, se eu amo tanto ele, tenho tanto carinho por ele, será que isso significa que eu estou apaixonado? Sendo muito sincero, eu tenho uma desconfiança de que talvez ele tenha algum sentimento por mim, porém, meu desabafo não é sobre conquistar ele ou não, ele me dá tudo que um namorado poderia me dar, menos me beijar, então pra ser sincero, implorar por um beijo em troca de possivelmente estragar nossa amizade não faz sentido nenhum, prefiro um amigo carinhoso presente do que amigo nenhum. Meu desabafo na verdade é só uma maneira de tentar encontrar pessoas que se identificam com esse sentimento, e talvez só descobrir se vocês conseguiram descobrir essa diferença em algum momento. Obrigado todo mundo <3
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2020.10.17 05:33 SnooRecipes4971 Eu descobri coisas muito rápido e isso tá me fazendo mal.

Eu entrei na internet com 11 anos e com 12 eu já conversava em lugares como discord, e vi a imensidão que a internet tem de pessoas e suas características. Como eu estava no período da pré-adolescência, era tudo algo novo e queria descobrir mais sobre aquilo e conversar com pessoas novas, e foi assim que eu me ''descobri'' muito cedo. Eu comecei a ter interesse em um menino quando tinha 13 anos e isso foi me matando, porque eu achei que era só uma fase ou uma grande admiração, mas hoje eu sei que não era só uma fase. E isso tá me matando, porque já sei qual vai ser a reação da minha família (que não vai ser nada boa) e eu não vejo condições de lidar com isso.
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2020.10.08 20:21 eu-nao-sei-nada Problemas com uma possível transexualidade

Queria ter nascido mulher. Não consigo sequer me aceitar enquanto homem e tenho nojo de mim mesmo.
Que eu me lembre, estou com essa "vontade de ser mulher" desde o ano passado, quando comecei a pensar sobre isso. Mas resolvi deixar quieto e negar para mim mesmo que eu pensava isso. Nos últimos dois ou três meses, isso é tudo que eu consigo pensar. Não penso em mais nada. Me sinto extremamente frustrado e triste por ser homem, tenho sentido desespero.
Mas eu não queria que isso acontecesse comigo. Eu não gostaria de querer isso, de querer ser mulher. Queria ter vontades e desejos normais.
Sou um jovem adulto, mas não tenho nenhuma amizade e sou uma pessoa completamente sozinha nesse sentido, não tenho absolutamente ninguém para expor este tipo de coisa.
Já cogitei de fazer transição de gênero e pesquisei muito sobre isso, mas me "transformar" em uma pessoa trans apenas traria sofrimento para mim. Tenho uma família conservadora que não deve sequer sequer saber o que é transexualidade (acho que associam isso a ser "gay/viado/bicha/não sei o termo que usam"). Fazer transição de gênero implicaria em "me abrime revelasair do armário" para a minha família e para outras pessoas, e não venham me dizer que "eu posso me surpreender e que a minha família pode me aceitar", porque tenho certeza absoluta de que isso jamais aconteceria. Fora todo o preconceito que vou sofrer da sociedade, me recuso a passar por isso.
Além disso, sou uma pessoa relativamente alta e nem o meu rosto nem o meu corpo não são nada "femininos" (sou feio e meu corpo é horrível). Mesmo que eu fizesse, de fato, esta transição, eu poderia vir a me arrepender posteriormente (nem sei quanto custa esse tipo de transição, imagina pagar, passar por esse processo para depois se arrepender). E se eu não quiser isso e a minha cabeça estiver me pregando peças? Tenho várias dúvidas sobre isso e tenho sentido várias outras incertezas sobre a minha vida. Eu não sei o que eu quero e não sei nem quem eu sou. Tento olhar dentro de mim para descobrir isso, mas só me deparo com um cenário confuso, incerto e assustador.
Mas reprimir isso para mim mesmo me destrói por dentro, queria agir de forma menos masculina, usar roupas femininas e coisas do tipo. É algo que me agradaria muito.
Diante disso, pensei que talvez fosse interessante eu me juntar a alguma comunidade LGBT dentro da internet. E, sinceramente, me arrependo disso. Não foi uma experiência ao todo ruim, porque sinto que as pessoas dessa comunidade, em geral, são bem solidárias umas com as outras (senti uma espécie de "apoio" para aceitar o que eu talvez seja), mas ao mesmo tempo parece que elas só são solidárias com pessoas de dentro da comunidade. Ao meu ver, trata-se de uma comunidade desnecessariamente tóxica. Não respeitam pessoas de fora da comunidade, não respeitam nem aceitam opiniões contrárias e acabam agindo até de forma semelhante às mesmas pessoas que elas criticam. "Imagine ser hétero kkk" e outros comentários e atitudes desnecessárias foi algo que eu vi nessa comunidade com uma certa frequência. E, na boa, qual é a necessidade de sentir orgulho da sua sexualidade? Eu sou bissexual, já era antes de tudo isso, mas nunca senti orgulho disso. E as pessoas da comunidade LGBT ficam falando que sentem orgulho de serem LGBT, mas eu acho que essa atitude não difere muito de pessoas idiotas na internet que dizem ter "orgulho hétero". Eu achei essa comunidade tão tóxica e tão diferente de mim que eu simplesmente "quitei" e não quero ser identificado como uma pessoa LGBT (mesmo teoricamente fazendo parte da comunidade). Sei que posso levar downvote por falar isso, mas foi essa a impressão que eu tive. Não acho que procurar pessoas LGBT é algo que possa me ajudar. Não quero fazer parte dessa bolha nem de nenhuma outra bolha.
Eu simplesmente não sei o que fazer, considerando que as alternativas que tentei não deram certo. Só queria reprimir essa minha "disforia de gênero" e nunca mais sentir nada disso... Estou confuso e quero sumir desse mundo.

Não sei se alguém leu até aqui, mas... Obrigado pela atenção e agradeço também, desde já, a quem puder me ajudar.
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2020.10.08 04:08 opedromagico Hoje foi minha 3 infusão com Cetamina para tratar Depressão (novo tratamento)

Hoje fui receber o dobro da dose para descobrir se iria mostrar mais resultados antidepressivos do que a dosagem anterior. Fui com um medo de não ter resultados instantâneos, mas também com a esperança de te-los posteriormente e a curiosidade de onde essa nova dose me levaria. Ainda minha impressiono com sua rápida eficiência… Em 4 minutos, pouco após tirar essa foto, meus olhos já estavam pesados e minha boca começando a adormecer, então coloquei minhas músicas pra tocar, segurei no “trem da música” e embarquei no início da viagem.

Foram muitas cores, formas, movimentos, pensamentos e dúvidas ao longo de algumas horas que, no “mundo real”, foram apenas 40 minutos. Apareceram alguns medos que pensei em não enfrentar, mas decidi deixar fluir e mergulhar em tudo o que meu inconsciente me mostrava. Acredito que tentar fugir é a receita de uma “bad trip”, coisa que nunca tive com nenhuma droga. Atribuo esse fato a boa conversa que tenho com meu inconsciente, grande parte dessa habilidade é graças aos anos de terapia com a minha maravilhosa terapeuta.

A droga que recebi por infusão é a Cetamina, usada desde 1962 como anestésico, mas para tratar a depressão é usado uma dose 5 a 10 vezes menor do que a da anestesia. Com essa microdose, ao invés de desligar alguns receptores do cerebro, ela estimula os receptores e acontece a neuroplasticidade do cerebro. Essa neuroplasticidade é a capacidade do sistema nervoso de mudar, adaptar-se e moldar-se a nível estrutural e funcional ao longo da vida e quando sujeito a novas experiências. Ou seja, no caso da deprê, a função é re-ativar as conexões que foram desativadas pela depressão. Arrasta para o lado pra ver a atividade de um cérebro com depressão e sem depressão.

Um fato curioso é que das 11 músicas que coloquei pra tocar, um total de 47 minutos, me lembro de ter escutado apenas as primeiras 4 ou 5 músicas. Várias delas nem me lembro de ter ouvido. Ilustro isso como se durante as sessões eu me sentisse agarrado no topo do “trem da música”, enquanto vou ouvindo as canções e curtindo a paisagem por onde o trem passa. Mas hoje, com o dobro da dose, senti que ele foi tão rápido que não consegui segurar, acabei me soltando do trem da música e flutuando em um espaço tempo que mal consigo me lembrar… Minha viagem já não parecia mais seguir o trem e com isso não tenho ideia por onde fui passear. Espero que por belos parques com umas moças inteligentes e gatas kkk

Os efeitos antidepressivos são revisados ao fim do ciclo inicial de tratamento, e para isso ainda tenho mais 3 infusões pela frente, num total de 6. Algumas pessoas já relatam alivio logo após a primeira sessão, mas parece que não sou um desses sortudos ¯\_(ツ)_/¯

Depois de amanhã, sexta, tenho a próxima infusão com a mesma dose, 1.0mg/kg, e volto aqui para contar mais como foi se quiserem! Tens dúvidas sobre o tratamento? Só postar abaixo que eu respondo =)
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2020.10.07 15:59 Ok-Professional-457 Faculdade/Carreira/Família/Aprovação

Bom dia gente! É a primeira vez que uso isso aqui, mas vamos lá...
É o seguinte, tenho 20 anos de idade (M), comecei a trabalhar em 2016 e terminei o ensino médio em 2017, durante o ano de 2018 fiz cursinho pré-vestibular para ingressar em alguma faculdade boa, e após o final do ano consegui uma bolsa de estudos integral numa faculdade particular muito boa em São Paulo para cursar Administração, e na mesma época passei para cursar Engenharia Agronômica na Ufscar, cheguei a ir na Ufscar e fazer a matrícula mas por vários motivos como família, depressão na família, condições financeiras, brigas e discussões graves na família etc., fui covarde e acabei por escolher Administração, curso em que estou no momento atual (4º semestre) me formo em 2022.
Porém, ainda que a faculdade seja de renome, o curso é bem meia boca, não estou aprendendo quase jossa nenhuma e eu que pensava que iria conseguir um ótimo estágio estou desempregado há tempos, pois meu período é matutino (Sinto que fiz cagada... e o curso só tem de manhã, então ou eu saio da facul ou continuo até 2022).
No ano passado, prestei o ENEM e passei pra cursar Economia numa federal aqui no estado de SP, me matriculei e estou levando os dois cursos juntos, Administração de manhã e Economia a noite, ambos EAD devido à pandemia, desde o começo do ano queria começar a trabalhar no mercado financeiro, até tirei certificações, mas agora bateu um desânimo acho que por vários motivos, nunca quis ser rico, nem um pouco, mas tenho que me sustentar e o mercado financeiro parece bastante promissor.
A suma de tudo é, sou a pessoa mais reflexiva do mundo, penso nisso a cada segundo como se pudesse analisar todos os fatos da minha vida e do mundo e então controlá-los ou descobrir alguma fórmula mágica, não sei se continuo em ADM e consigo um emprego que ganhe bem, mas dps posso me frustro porque não vou gostar de trabalhar em bancos o resto da vida, não sei se continuo fazendo só economia (sempre gostei) até 2025, e agora bateu uma puta vontade de ir fazer agronomia de novo... mesmo com todos os problemas. Tenho medo de falar tudo isso pros meus pais, pois queria deixar eles felizes com o que tenho me tornado, mas parece que não me tornei nada ainda e tenho medo de não me tornar algo...
Vocês não conseguiriam entender todos esses problemas apenas com algumas linhas aqui... há muitas coisas envolvidas, acho que queria desabafar e talvez ler algum comentário "Milagroso" que resolvesse todos os meus problemas rs (impossível...) Estou refletindo muito sobre esse pensamento:
O homem mais rico é aquele cujos prazeres são mais baratos.
E cheguei a conclusão que as coisas mais simples são tão belas, pensem comigo:
Um marceneiro pode fazer o seu móvel se concentrando na construção e encaixe das peças e depois disso apreciar o seu serviço, o pescador pode pescar e saber que a simples tarefa de tirar um peixe da água esta alimentando alguém, a pessoa que cultiva flores sabe que aquela rosa será entregue pra alguém e será motivo de alegria, cozinhar um bolo gotoso com amor e comer com seus filhos ou pessoas queridas é motivo de felicidade.
Por outro lado, trabalhar com economia e política por exemplo sempre terá um milhão de informações novas a cada segundo pra analisar e sempre humanamente impossível saber de tudo, sabendo que o serviço nunca acabará, sempre haverá mais e mais para ler e discutir (É infindável e parece que não há uma beleza visível...)
Desculpem o texto longo... consegui expressar 1% do que eu penso
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2020.10.02 20:07 CasaGolden A escolha do favor de Sansa: o caso de Sor Byron, o Bonito ( Parte 1)

“Quem pediria o favor de uma bastarda?
Harry, se ele tiver a sabedoria que os deuses deram para um ganso... mas não dê para ele. Escolha algum outro galante. Você não quer parecer muito ansiosa.” (TWOW, Alayne I)
Tal é o conselho que Mindinho da para Sansa Stark, agindo como sua filha bastarda Alayne Stone, quando ela se encontra com ele nos Portões da Lua depois da chegada do seu prometido Harry, o Herdeiro. Não é a orientação habitual que alguém pensaria que um pai daria para sua filha, mas este não é um relacionamento tradicional de pai/filha e Petyr não é um mentor ordinário. Enquanto ele não especifica o “galante” que Sansa deveria entregar seu favor, o raciocínio dele é claro: ele quer que ela encante e provoque Harry, mas ainda mantendo alguma aparência de preferência absoluta, para assim manter o Jovem Falcão encantado e interessado. Quando mais tarde ela dança com Harry no banquete pré-torneio, nós vemos que Alayne aceitou as palavras do pai no coração; ela está decididamente mais ousada e brincalhona com Harry, questionando ele sobre suas crianças bastardas, suas mães, e fazendo comentários bem sugestivos sobre ela ser toda a “pimenta” que ele vai querer. O infeliz Harry, previsivelmente em transe, pede pelo favor de Alayne, mas ela nega pra ele dizendo “Você não. Está prometido... para outro”.
Quem será esse “outro” tem intrigado o fandom desde o lançamento da amostra do capítulo há cinco anos. O capítulo não contem maiores revelações ou cenas dramáticas, mas este final age como certo cliffhanger, criando expectativas nos leitores de que o favor de Alayne terá um considerável significado narrativo. Ao escolher seu cavaleiro, nós sabemos que Alayne tem muitas opções, como Martin nos dá a litania de potenciais escolhas da lista de parceiros de dança no banquete, e, não esqueçamos, a conversa com dois personagens imprevisíveis que ela teve mais cedo naquele dia: Sor Shadrich de Vale Sombrio e Sor Lyn Corbray de Lar do Coração. Enquanto Sor Lyn continua sendo um candidato viável, por mais volátil e arriscado que ele seja, podemos excluir Sor Shadrich por enquanto, pois ele diz a Alayne e Myranda que não pretende competir no torneio.
É claro, os leitores sabem que o Rato Louco tem procurado pela Sansa Stark por um bom tempo, finalmente integrado nos serviços de Mindinho como cavaleiro andante ao lado de outros dois, e conhecendo Sansa depois que ela partiu do Ninho da Águia em seu capítulo final de AFFC. Como as conversas no pátio de treino revelam, Sor Shadrich agora sabe que a filha bastarda do Lorde Protetor é realmente a garota Stark desaparecida, e enquanto seu propósito anunciado fosse ganhar a recompensa pelo retorno dela para Porto Real, os leitores ainda estão incertos sobre suas verdadeiras motivações e o que ele irá decidir com essa descoberta. O favor de Sansa, operando neste viveiro fervente de tensões crescentes e subterfúgios, não é mais relevante como um mero gesto de cortesia, mas agora é uma potencial mudança de estratégia nos jogos por um jogador emergente.
Assim, qual cavaleiro seria a melhor decisão estratégica, tanto da perspectiva de Sansa (estando atenta ao crescimento de seu personagem) e de uma consideração mais ampla dos desenvolvimentos da trama envolvendo outros personagens e eventos? Essas questão nos leva seriamente a considerar Sor Byron o Bonito, o cavaleiro andante que nós vemos primeiramente como um do trio de homens que Mindinho contrata para seus serviços no fim de AFFC.
Para começar, uma pequena confissão é necessária: Esta teoria deve seu desenvolvimento à minha frustração em tentar descobrir a verdadeira identidade de Sor Byron, já que estou trabalhando a partir do pressuposto de que Sor Morgarth e Sor Shadrich estão operando sob falsos pretextos no que se refere às suas verdadeiras identidades / propósitos em vir para o Vale de Arryn. Já sabemos que Sor Shadrich está escondendo o fato de que estava procurando por Sansa, mas será que ele também poderia ser outra pessoa, ainda uma figura desconhecida que tem seus próprios motivos nessa busca? Uma teoria popular no fandom sugere que ele é Howland Reed, mas isso está fora do escopo de nossa investigação por enquanto. Com relação a Sor Morgarth, uma de nossas teorias “malucas” aqui em Pawn to Player alega que ele é realmente o Irmão Mais Velho da Ilha Quieta. Faz sentido narrativo, portanto, que Byron também não seja quem aparenta ser, e certamente não está lá para prestar serviço leal ao Senhor Protetor.
Um aspecto importante dessa teoria é que esses cavaleiros andantes parecem estar trabalhando juntos. Com a exceção do momento em que Sansa encontra Shadrich sozinho no pátio no capítulo liberado de TWOW, Martin reforça a imagem de três homens como uma unidade desde a primeira aparição deles no solar de Mindinho até a última aparição deles dançando com Alayne no banquete:
Exatamente como Petyr prometera, os jovens cavaleiros se amontoavam ao redor dela, disputando seu favor . Depois de Ben veio Andrew Tollett, o belo Sor Byron, Sor Morgarth do nariz vermelho, e Sor Shadrich, o Rato Louco. (TWOW, Alayne I)
Em particular, Martin parece querer que nos concentremos em suas aparências, quase como se houvesse pistas a serem discernidas dessas descrições. Isso ecoa nossa primeira introdução a eles em AFFC, quando os leitores deveriam reconhecer imediatamente o astuto Sor Shadrich:
Alayne o abraçou obedientemente e lhe deu um beijo na face.
– Lamento incomodar, pai. Ninguém me disse que tinha companhia.
– Você nunca incomoda, querida. Estava agora mesmo contando a esses bons cavaleiros como minha filha é atenciosa.
– Atenciosa e bela – disse um jovem e elegante cavaleiro, cuja espessa cabeleira loira caía em cascata até bem depois dos ombros.
– Sim – disse o segundo cavaleiro, um indivíduo entroncado com uma espessa barba salpicada de branco, nariz vermelho, proeminente e com veias rebentadas, e mãos nodosas, grandes como presuntos. – Não mencionou essa parte, senhor.
– Eu faria o mesmo se ela fosse minha filha – disse o último cavaleiro, um homem baixo e seco, com um sorriso sardônico, nariz pontiagudo e hirsutos cabelos cor de laranja. – Especialmente perto de homens grosseiros como nós.
Alayne riu.
– São grosseiros? – disse, brincando. – Ora, e eu que os tomei por galantes cavaleiros. (AFFC, Alayne II)
Deixando de lado seus atributos físicos por enquanto, devemos também prestar atenção em como suas respostas "coordenadas" e preparadas para a chegada de Alayne parecem ser. Não há hesitação ou demora. Um após o outro, cada um constrói a afirmação do outro, terminando com o comentário sugestivo de Shadrich sobre "grosseiros como nós". O que temos é uma impressão singular dos três cavaleiros, apesar de suas descrições variadas, levando a uma conclusão razoável de que eles decidiram combinar seus esforços e recursos para um objetivo comum. Se o objetivo é simplesmente sequestrar Sansa e devolvê-la ao cativeiro em KL como Shadrich fez Brienne acreditar, então a presença do Irmão Mais Velho como Morgarth certamente prejudicaria esse empreendimento. Além disso, embora Shadrich tenha se oferecido para dividir sua recompensa com Brienne, a exigência de dividi-la em três partes pareceria menos do que ideal, para não falar do risco de envolver tipos mercenários não confiáveis ​​que poderiam tentar roubar Sansa e ganhar o resgate total por si mesmos. Não somos informados dos detalhes de como exatamente eles foram contratados por LF em Vila Gaivota, mas que todos os três parecem confortáveis ​​na companhia um do outro é notável e sugere algum tipo de familiaridade ou conexão anterior.
Sor Byron, pela própria natureza de como Martin o descreve, é o mais fácil de ignorar, especialmente à luz das experiências de Sansa, que a ensinaram que exteriores dourados e belos muitas vezes podem ser enganosos, e que é muito melhor julgar alguém em seu caráter e ações. O fato da aparência de Byron lembrar um típico Lannister é provavelmente uma escolha autoral deliberada, destacando como Sansa não está mais cega ou mesmo atraída por esse ideal de beleza - que lhe causou considerável sofrimento e dor. Mas o que fazemos com Byron e por que ele está incluído neste grupo de potenciais ajudantes de Sansa se neste estágio de desenvolvimento dela ele parece ser evidentemente o cara errado? Ao tentar descobrir sua identidade, eu rapidamente percebi que poderia ser mais benéfico se concentrar no papel específico que ele poderia desempenhar na trama e é aí que a ideia de ele ser aquele a receber o favor de Alayne tomou forma.
A partir do momento em que conhece Alayne, Byron desempenha o papel do cavaleiro arrojado, elogiando sua aparência e beijando sua mão ao sair da sala. Ela o descreve como "elegante" e "jovem" e, mais tarde, no banquete, como "bonito". Não há sentido, no entanto, que o interesse de Alayne em Sor Byron vá além de sua apreciação do fato de que ele foi contratado para reforçar a guarda de LF nos Portões. Então, por que ela o escolheria para usar seu favor de todas as outras opções disponíveis? A razão mais óbvia é que ele é a escolha perfeita para atingir seu objetivo aparente de deixar Harry, o Herdeiro, com ciúmes, como LF a aconselha a fazer durante a conversa nas caves. Por conta própria, Sansa poderia dar seu favor a alguém como Sor Wallace, filho de Anya Waynwood, por quem ela claramente tem empatia e procura salvar do constrangimento quando ele dança com ela no banquete. Ou outra escolha poderia ter sido Sor Lyn Corbray, a quem ela aprecia como um lutador cruel e certamente deixará sua marca no torneio. Que Sor Lyn Corbray pode não ser mais leal a seu pai é algo que desperta a curiosidade de Alayne, um conhecimento potencial que ela poderia explorar no futuro. No entanto, Sor Wallace e Sor Lyn provavelmente não deixarão Harry com ciúmes, já que o primeiro é alguém com quem ele cresceu durante toda a vida, que é estranho e tímido, enquanto o último é conhecido por não se interessar pelos encantos das mulheres , e cuja seleção só pode servir para disparar os alarmes de LF. Byron, com sua notável boa aparência, porte elegante e modos corteses é o cavaleiro ideal para fazer Harry se sentir irritantemente inseguro. Depois de sua rápida conversa com Harry no banquete, Sansa soube ainda melhor do que antes que ele é um tipo superficial, que valoriza a aparência acima de tudo pela maneira como fala sobre seus amantes e, ao mesmo tempo, alguém que é bastante fácil de manipular. Sua primeira impressão de Harry é reveladora:
Sor Harrold Hardyng era um futuro senhor em cada centímetro; proporcional e bonito, aprumado como uma lança, duro de músculo. Homens com idade suficiente para terem conhecido Jon Arryn em sua juventude diziam que Sor Harrold tinha sua aparência, ela sabia. Ele tinha um tufo de cabelo loiro-areia, olhos azuis pálidos, nariz aquilino. Joffrey também era gracioso , ela lembrou a si mesma . Um monstro gracioso, é isso o que ele era. O pequeno Lorde Tyrion era mais gentil, mesmo retorcido. (TWOW, Alayne I)
Ainda não vimos nenhuma evidência de que Harry é um "monstro atraente"da mesma forma que Joffrey, mas a comparação é significativa. Isso ressalta o tema de aparência versus realidade que percorre o arco de Sansa e enfatiza a ironia de Byron ser o único a receber seu favor neste momento. Ao contrário da Sansa de antigamente, que se derreteu pelo Cavaleiro das Flores durante o Torneio da Mão, esta Sansa poderia escolher um cavaleiro valente para um propósito totalmente diferente, usando seu favor não como uma declaração decorativa de afeto, mas como uma isca deliberada. Isso se alinha perfeitamente com o papel secreto em que Sor Byron já poderia estar envolvido, e torna não apenas Harry, mas também Petyr Baelish, como as figuras enganadas. A escolha de Sor Byron uniria a relevância desses misteriosos cavaleiros errantes e apresentaria uma oportunidade para Sansa descobrir seu verdadeiro propósito. Até agora, os três parecem estar se mantendo discretos, mas os comentários de Sor Shadrich a Sansa no pátio sugerem que ele está planejando agir em breve. A escolha de Sor Byron, apesar de Sansa não ter conhecimento do que eles planejam ainda, pode ser vista como uma bênção simbólica de sua missão clandestina. Também expande o espectro da influência que ela tem exercido desde o planejamento até a execução do torneio dos cavaleiros alados.
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2020.10.02 09:03 UninformedImmigrant U wot m8? Estórias de um gajo que se mudou para o UK [Capítulo 3: Conduzir no UK]

Olá amigos. Hoje vamos novamente falar de carros, desta feita das diferenças que encontrei entre a condução no UK e em Portugal. Como é meu hábito e apanágio, vou desperdiçar o vosso tempo a explicar porque é que eu acho que as diferenças são o que são, em vez de prestar o serviço útil que seria especificar quais as diferenças exactas. Pode ser que se consigam tirar umas pelas outras.

Take-Aways Principais

Guinar para a direita em caso de emergência

Guinar (verbo): * dirigir um veículo abruptamente numa certa direcção, normalmente como reação a algo abrupto e inesperado; * mudar radicalmente de opinião acerca de um assunto, normalmente porque a opinião anterior deixou de nos ser vantajosa (ver: política).
Quando se começa a conduzir muito novo, como foi o meu caso, desenvolvem-se instintos para certas coisas. Por exemplo, se se nos apresenta um perigo de frente, então o instinto é o de encostar à direita primeiro e fazer perguntas depois; toda a gente treina a encostar à direita, por isso todos fazemos o mesmo e todos ficamos todos em segurança. Não tem que haver pânicos nem descontrolos; há que colocar o veículo em segurança (seja lá qual for o estado anterior) e depois logo se vê o que é que se faz e fez e de quem é a culpa.
Isto é, até conduzirmos num país em que toda a gente guina à esquerda, claro.
Um dia destes atravessava uma pequenina aldeia no interior profundo do Sudoeste. (Uma pequena tangente: as aldeias pequeninas do interior profundo do Sudoeste são das coisas mais bonitas que já vi. Tropeçam-se em abadias da idade média e em monumentos pré-históricos, é incrível.) Obviamente, a rua era estreita demais para caberem dois carros. Nestes casos noto os meus instintos continentais a tomarem conta da condução, e dou por mim a colocar o carro mais à direita que à esquerda. Não tem mal; de qualquer modo vou sozinho. Pouco depois a rua abre-se numa (espectacular) praça ampla e deparo-me com uma senhora num Range Rover em claro excesso de velocidade directamente à minha frente, dirigindo-se na minha direção e, portanto, na direcção do meu precioso carro novo. Eu guinei à direita, ela guinou à esquerda (dela), bom travão e ficámo-nos pelos embaraços. Ela deitou as mãos à cabeça, e eu tive que dar o braço a torcer; regressei ao meu lado da estrada de olhos fixos em frente. Travões foram testados, palavrões foram ditos, lições foram aprendidas.
Eu defendo que a adaptação à condução no UK se divide em 4 fases mais ou menos distintas:
  1. Primeiras semanas: "foda-se caralho de onde é que veio aquele não sei fazer nada ai vem aí uma rotunda AI FODA-SE AFINAL SÃO DUAS VALHA-ME NOSSA SENHORA VAMOS TODOS MORREEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEER----"
  2. "Afinal isto até se faz": começa-se a ganhar alguma confiança e deixa-se o "piloto automático" tomar conta de vez em quando.
  3. "Afinal não": apanha-se um susto (vide senhora do Range Rover), e a condução volta a ser tensa.
  4. Verdadeira adaptação: depois de uns milhares de quilómetros e de umas idas a Portugal, um tipo nota finalmente que parece tão familiar conduzir de um lado como do outro. Não há hesitações, consegue-se prever o fluxo do trânsito, sabe-se onde andam as rodas, e por aí fora.
Este episódio marcou a minha fase 3. Naturalmente, neste momento encontro-me na última destas 4 fases, o que se consegue facilmente compreender uma vez que não vejo o futuro. Ainda assim parece-me razoável que assim seja: é comum os processos de aprendizagem e adaptação se fazerem em "tentativas", em ondas e bochechos até estabilizarem em algo confortável. Cavalgamos no sentido de nos sentirmos melhor, mais confiantes, e por isso tapamos buracos no chão com tábua fina. Quando pisamos a tábua ela racha, e aprendemos que temos que a trocar por tábua mais grossa.
O instinto é, pelo menos para mim, uma parte muito importante da condução. Eu habituei-me a ter uma noção quase extra-corpória de onde está o carro, onde vai passar, o que é que os outros estão e vão fazer, etc. E todo o processo é completamente inconsciente: basta-me ir com atenção e toda a condução se faz suavemente e por si própria. Aliás, uma das primeiras coisas que notei quando comecei a conduzir aqui foi o quão exausto estava depois de uma viagem; todo o processo era muito mais manual, muito menos fluído e muito mais difícil de manter.

Conduzir é mais que guiar, é comunicar

Eu não sei das vossas inclinações filosóficas, mas eu cá perco-me um bocado com pesquisas; vem com o trabalho na academia, suponho. Ora sucede que, segundo se consta em ramos como a Psicologia, a comunicação entre pessoas é muito mais do que verbal. Claro que todos nós sabemos, conscientemente ou não, que isso é verdade: uma mulher dizer "não" enquanto morde o lábio é muito diferente de dizer "não" enquanto nos esbofeteia, o que por sua vez é muito diferente de dizer "não" enquanto nos esfaqueia no abdómen. O que ela disse foi o mesmo, mas a intenção era claramente diferente. São essas subtis marcas não-verbais que fazem toda a diferença na interacção do dia-a-dia.
Ora a condução, na medida em que envolve uma série de processos de mediação, não é mais que uma forma de comunicação. Ao colocarmos o carro em certo local indicamos que queremos avançar; os piscas indicam para onde vamos (quando se usam); podemos acenar para ceder passagem, ou abanar a cabeça para explicar pacientemente que não pretendemos ceder passagem. Podemos buzinar para expressar descontentamento, ou ofensa, ou felicidade porque o Benfica ganhou. Podemos trocar o escape por um barulhento para comunicarmos a todo o mundo que somos profundamente atrasados mentais. Podemos colar o logo da FPF na mala do carro de modo a mostrarmos a todos que não só somos portugueses, como também não sabemos distinguir o futebol dos verdadeiros símbolos nacionais. Podemos até abalroar um peão ou um ciclista como forma de lhes fazermos ver que a estrada não é sítio para eles.
Todos estes actos são pequeninas mensagens que indicam aos outros utilizadores da via o que pretendemos fazer. A condução está cheia destas pistas. É como manter uma conversa: "eu vou para ali", dizemos nós com o pisca, "ok, mas eu passo primeiro", diz o outro condutor avançando, "ok, passa então", dizemos nós parando, e por aí fora. Ora, como em toda a boa forma de comunicação, povos diferentes falam línguas diferentes. Eu defendo que na condução se passa exactamente o mesmo.
Em Portugal a comunicação entre condutores é muito franca e aberta: toda a gente que vai mais devagar que eu é um caracol do caralho, e toda a gente que vai mais depressa é doido. Ninguém passa à frente porque eu é que sou importante, e outros que tais típicos silogismos Latinos. Obviamente que a mim, como português, a "língua" a mim me parece aberta, clara e óbvia. A habituação ao estilo português de condução permite-nos prever muito bem o que é que vai acontecer, e decidir de acordo com isso. Conseguimos saber quando esperar que o veículo à nossa frente acelere, sabemos como esperar que reaja a mudanças no limite de velocidade, sabemos como reagir a uma travagem na autoestrada, etc. Estamos integrados na massa de condutores que nos rodeia, aos quais estamos unidos por uma teia de micro-acções (não confundir com a fraude das micro-expressões) que nos fazem entender uns com os outros de forma natural, quais formigas no carreiro.
Um condutor estrangeiro topa-se à distância. Na minha terrinha é costume receberem-se alguns carros de matrícula francesa entre o fim de Julho e o início de Setembro, mas nem era preciso olhar para a matrícula! A forma como se posicionam, como contornam uma rotunda, até como avaliam quando entrar num cruzamento traem logo a estrangeirisse (ou a emigrância longa). Claro que o logo da FPF no vidro de trás acaba por denunciar muitos, mas garanto que também não era preciso. (Nota: ainda não apliquei no meu carro o obrigatório logo da FPF. Eu pensava que me chegava um pacote da embaixada assim que comprasse o carro, mas noto que até nas coisas importantes a diplomacia portuguesa me está a falhar.)
No UK, as pessoas parecem ter para a condução a mesma atitude que têm no dia-a-dia umas com as outras: uma certa vontade de não agravar, uma delicadeza assertiva e um pragmatismo típico que tornam o processo bastante diferente do nosso. Isto complica a habituação à condução aqui para lá do óbvio "fazer tudo ao contrário". Eu até diria que a condução à esquerda é uma falsa barreira, e que a adaptação é muito mais profunda que isso. Existem expectativas diferentes, dicas diferentes e assunções diferentes. Numa palavra, o trânsito inglês é "ordeiro". As filas unem-se por "zippering", os limites de velocidade são respeitados, as manobras anunciam-se atempadamente com piscas. As marcas da estrada são claras, abundantes e respeitadas. Não se fazem arrancadas, não se corta à frente de ninguém; estamos todos nisto juntos. O trânsito é cooperativo e não adversarial. Obviamente que há excepções, mas estamos aqui a falar no sentimento geral e esse é, sem dúvida, muito diferente do português.
Inicialmente, a sensação é assoberbante. É como tentar falar uma língua que nunca falámos antes. Eu não sei o que é que estas pessoas estão a fazer, nem porquê, nem com que intenção. Obviamente estamos todos a tentar chegar a algum lado, mas os detalhes escapam, e toda a gente sabe que o diabo está nos detalhes. É como ouvir alguém falar criolo: eu percebo algumas palavras, uma expressão aqui e ali que traem a origem portuguesa, mas a mensagem global ilude-me. Uma coisa que fez muita diferença foi entender que as rotundas pequeninas (aquelas desenhadas no chão) na realidade não são rotundas; são cruzamentos. Dá-se prioridade à direita, e não se entra lá dentro enquanto lá estiver alguém. Entender isto foi um salto enorme para mim.
Como é óbvio, o episódio ali acima da senhora do Range Rover foi coisa comum durante algum tempo. Entrei mal em rotundas, parei em cima de grelhas, fiz outras coisas completamente erradas por não entender um sinal, e por aí fora. Curiosamente, nunca andei em contramão nem nunca achei particularmente estranho conduzir ao contrário. A Maria diz que puxo um bocadinho à direita quando estou distraído, mas eu acho que é do vinho que ela bebe ao almoço.
Eu suspeito que haverá toda uma área de estudo acerca desta ideia de "conduzir é comunicação", porque não sou esperto o suficiente para estar aqui a descobrir ramos da filosofia. Até podia jurar que li um paper ou dois sobre as teorias de negociação de cruzamentos, e da forma como isso se podia codificar como linguagem. Ou então sou parvo. ¯\_(ツ)_/¯

Mais devagar é lesma, mais depressa é acelera

A velocidade é um exemplo óbvio de um aspecto da condução em que Portugal e o UK são radicalmente diferentes. Ora eu, português de gema, chego à A1 e afino o cruise control na velocidade mais elevada a que posso circular sem ser multado: 150. A essa velocidade, meros 30km/h acima do limite legal, vou constantemente a ultrapassar e a ser ultrapassado. Há uma certa formalidade em todos os desvios: a velocidade obriga a que as mudanças de faixa sejam feitas cuidadosamente, indicadas com antecedência, e até avisadas com sinais de luzes durante a noite. Acelera sim, parvo não.
Por outro lado, em terras de Sua Majestade a velocidade é o inimigo número 1; o condutor médio aqui seria visto em Portugal como "uma lesma do caralho". Mas pensemos um bocadinho: andar depressa é muito bonito, mas suponhamos que eu não sou novo, ou que estou cansado, ou que acabei de receber más notícias. Conduzir depressa nessas condições é geralmente uma má ideia mas, mais do que isso, a minha capacidade de prever o que fazem os aceleras fica fortemente diminuída. Se todos respeitarmos o limite, que por sua vez deve ser mais ou menos sensato, então garantimos que a estrada é um ambiente mais inclusivo e menos perigoso para todos. Consequentemente, torna-se muito menos excitante para nós, pessoas novas e (excessivamente) confiantes, que gostamos de apertar. Além disso, a velocidade é fortemente fiscalizada e as multas são muito caras.
Não, a sério, as multas são muita caras. Vi os preços e decidi que andar devagar já não me incomodava assim tanto.
Inicialmente, atravessar uma aldeia a 30mph trazia-me ânsias. "O que é que eu vou a fazer a esta velocidade? Vou ficar velho antes de lá chegar!"" Mas com o tempo habituei-me a um estilo de condução mais lânguido, mais relaxado. Posso ouvir uma musiquinha ou um podcast enquanto atravesso a aldeia nas calmas. Nada de mal me vai acontecer porque, francamente, indo a 30mph pára-se quase instantaneamente. É quase zen!
As estradas de campo, pelo menos para estes lados, são uma experiência completamente diferente. O limite de velocidade por omissão numa A ou B road é de 60mph, aproximadamente 100km/h, ou 10km/h mais alto que o limite português. A isto alia-se uma característica interessante das estradas secundárias inglesas: são muito estreitas e não têm bermas; aqueles 60mph parecem 200! É possível praticar uma condução muito divertida, perfeitamente dentro dos limites da legalidade e da segurança. Para pessoas se viram forçadas a comprar um carro menos pontente do que inicialmente esperavam, é muito bom ainda assim se conseguir tirar algum prazer da condução mais "dinâmica".
Ainda assim, na presença de outros carros volta-se ao ordeiro. E isto nota-se até na condução de outros: é comum ir calmamente por estas estradas, e ver um carro aproximar-se por trás com uma atitude mais aventureira, apenas para depois se colocar tranquilamente atrás de mim como se nenhuma pressa alguma vez tivesse tido. Nada de tailgating, nada de tentativas parvas de ultrapassagem, apenas refrescante respeito pelo meu direito de respeitar o limite de velocidade naquela particular situação. E quando há uma aberta ou uma secção de duas faixas, então lá vai ele com pressa outra vez. A chico-espertice parece mais rara.

Toda a gente em todo o lado

Há um aspecto da sociedade no UK, pelo menos aqui no Sul, que nunca vejo discutido quando se fala em viver cá: este país é muito mais congestionado que Portugal. Há mais pessoas em todo o lado, há escassez de casas, há muito trânsito. Eu estou habituado a atravessar a estrada de campo entre Coimbra e a Figueira a meio da noite sem me cruzar com absolutamente ninguém. Tal coisa nunca me aconteceu aqui. Mesmo com uma rotina algo fora do comum, estou sempre limitado pelo trânsito onde quer que vá. Isto resulta, geralmente, numa condução mais lenta e aborrecida do que aquilo a que podemos estar habituados em Portugal. Ou, agora que já estou habituado, numa condução mais zen.
A própria infrastrutura contribui de forma negativa para isto. Pelo menos em relação ao que estou habituado, a rede de autoestradas do UK é menos extensa que a portuguesa (em relação à população e à área). Eu estou muito habituado a, onde quer que vá em Portugal, haver autoestrada quase de porta a porta. Claro que ter vivido sempre em cidades com bons acessos é um factor importante! Mas há vários caminhos relativamente extensos que faço com frequência, entre sítios "importantes" aqui, para os quais não há nenhuma ligação rápida. De um modo geral, noto que demoro mais tempo a cobrir distâncias semelhantes vs o que fazia em Portugal. A distância Bristol-Londres parece muito, muito, muito maior que a distância Coimbra-Porto. Claro que é maior, mas parece ainda maior do que o maior que já é.
Com uma rede de autoestradas com menos cobertura, torna-se muito comum as estradas de campo, aquelas bonitas das quais a gente gosta, estarem congestionadas: trânsito de caminho casa-trabalho-casa, trânsito agrícola, camiões ou bicicletas, etc. Assim, apesar de o limite de velocidade nas estradas de campo ser elevado, é relativamente raro conseguir-se fazer uma viagem com alguma distância a uma velocidade média decente. Como as estradas são estreitas, e como há aquele respeito a todo o trânsito, é muito mais difícil resolver isso com ultrapassagens.
Um aparte, e sabendo que é uma opinião altamente controversa e que só me vai trazer chatices: eu entendo que se um ciclista
então é um filho da puta e devia-lhe crescer um ananás no cu. Eu percebo que toda a gente tem direito a utilizar a infraestrutura. Eu entendo que o ciclista tem tanto direito a usar a estrada como eu. Mas do mesmo modo que os camiões de vez em quando encostam para deixar passar a fila, não ficava nada mal ao menino da licra fazer o mesmo. Eu quando sei que vou andar devagar, por exemplo porque vou em passeio ou a ver a paisagem, então também encosto de vez em quando para deixar os outros passar; lá porque eu posso usar a estrada para fazer isso, não quer dizer que seja fixe atrasar toda a gente que tem o azar de vir atrás de mim. É altamente irritante fazer 10km ou mais em segunda atrás de uma fila gigante, e chegar atrasado a todo o lado, só porque o Barry decidiu que hoje era dia de salvar o planeta. Po caralho, Barry.
A condução em autoestrada é muito diferente da nossa. Obviamente que há aceleras, mas regra geral o trânsito flui "en bloc" a 75 mph, suspeito porque o cruise control é muito comum cá. A diferença de velocidade entre caros é muito menor, e simultaneamente a velocidade absoluta a que todos circulamos é mais baixa. A condução em autoestrada parece menos "formal" do que em Portugal. É mais fluída, mas de uma forma desagradável: os ingleses não têm reservas nenhumas em meter pisca e atravessarem-se à nossa frente a 75mph. As ultrapassagens são muito frequentes, mas fazem-se com diferenciais de velocidade muito mais baixos, e por isso demoram muito mais tempo. Há muito mais trânsito de pesados na autoestrada, por isso são mais esburacadas e vê-se muito "snail races", aquele fenómeno em que um camião que circula a 61.2mph demora 2847289167219 horas a ultrapassar um camião que circula a 61.19mph.
A questão do congestionamento também se aplica, naturalmente, ao estacionamento. Os lugares são relativamente limitados e normalmente são pagos. Nem todas as casas que estão disponíveis para arrendacomprar têm estacionamento associado e, particularmente nas cidades, ter estacionamento privado é claramente um luxo. Eu tenho estacionamento privado neste bloco de apartamentos, mas isso é relativamente raro até aqui no campo. Sempre que quero visitar algum local faço questão de escolher de antemão onde é que pretendo estacionar, e até aponto o GPS logo para o estacionamento. Mas nem tudo são más notícias: é normal haver estacionamento pago e relativamente fácil em qualquer sítio que se queira visitar, e os preços normalmente não são horripilantes. Um contra-exemplo fácil é o centro de Bournemouth, onde normalmente pago umas 8£ para estacionar durante 6 horas. E uma boa parte dos estacionamentos aceita pagamento contactless, e alguns até são completamente ticketless, o que até é fixe. De um modo geral:

Conclusão

Eu podia escrever sobre conduzir durante dias, e talvez revisite o assunto no futuro. Não só é uma actividade que me traz uma satisfação imensa, como é algo que me intriga intelectualmente. Parece obviamente uma má ideia alguém propôr "ei zé, vamos dar a cada pessoa um caixote de lata de 2 toneladas, e fazê-los andar em velocidade, em sentidos opostos, a meros centímetros uns dos outros". Toda a experiência parece condenada à catástrofe mas nós, do nosso jeito humano, lá fazemos a coisa funcionar. É muito interessante ver que não só fazemos com que a condução seja algo que seja útil, como povos diferentes têm abordagens diferentes à "solução" para que funcione. Nós cultivamos um estilo de condução, os ingleses outros, e com um bocadinhod e tradução até acabam por encaixar.
Como referi antes, nesta altura acredito que a condução à esquerda é um "red herring" (um peixe vermelho?) no que toca ao processo de adaptação à condução aqui. Conduzir à esquerda é estranho, concedo, mas não é o mais estranho. Uma parte crucial da condução é sermos capazes de prever o que os outros vão fazer, de sabermos o que esperar e, posto de uma forma simples, as coisas aqui são diferentes.
As estradas estreitas de campo foram a salvação da minha saúde mental durante o lockdown. Estar fechado o dia todo, legalmente impedido de sair para tudo o que não seja essencial e receoso do contágio, é algo que pesa na mente. A possibilidade de me fechar seguro dentro do carro e passear foi um escape gigante. Geralmente, adoro conduzir aqui, nem muito mais nem muito menos que em Portugal. São dois estilos diferentes, mas ambos têm as suas virtudes.
É importante mencionar novamente, para benefício de quem lê na diagonal, que a minha experiência é altamente individual e que procurei relatar o espírito geral da vivência através de uma generalização que pode não funcionar. Obviamente que há excepções; obviamente que há parvos em todo o lado, e por vezes o parvo sou eu.
Para o próximo episódio estou a pensar fazer uma espécie de "rescaldo das crises" e cobrir o Brexit e a pandemia mais ou menos como um. Apitem na caixinha se acham boa ideia.
Abraços, e obrigado por virem à minha TED talk.

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Referências

Hoje não há :)
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2020.09.30 03:31 Maeve555 Vocês acham que o site de sexualidade estão certos ?

No início desse ano até hoje, estou me descobrindo bissexual,por que eu sempre senti um tesão muito forte em fotos de mulheres peladas, e quando eu assisti pornô lésbico pela primeira vez, eu sentia muito prazer. E essa não foi um dos motivos de eu ter questionado minha sexualidade, mas porque antes eu senti um sentimento muito forte por uma garota, tanto que eu fiquei um pouco obcecada por ela, stalkeava o insta dela, quando ela postava fotos dela meu coração disparava e eu sentia um frio na barriga ou até quando ela mandava mensagem, eu queria estar a todo o momento perto dela, poder tocar a pele dela. Então pra eu descobrir um pouco sobre a Bissexualidade, eu decidi pesquisar em alguns sites sobre esse tema, e lá eu vi que bissexuais não se sentem muito atraídos por ambos os sexos, tem meio que uma porcentagem 40% mulher 50% homem, Bissexualidade não é você sentir atração 50% mulher e 50% homem, quando eu descobri isso, eu vi que eu poderia ser bissexual (porque eu sempre fui mais atraída por homem, apesar de nunca ter experimentado nada com mulher), mas depois de uns meses, eu vi que tinha dias que eu pensava muito em mulheres e já tinha outros que eu não queria nada com elas. Pra poder descobrir mais sobre mim, pesquisei sites sobre mulheres HÉTEROS que sentiam tesão em pornô lésbico, achei aquilo um absurdo e fiquei com raiva e pensei "mano agora que eu tô me descobrindo bissexual, eles vem com essa de que mulher "hétero" gosta de pornô lésbico? Nada haver mano, como uma hétero vai gostar de sexo lésbico????", Eu só fiquei com raiva, porque pensei :essa minha "descoberta" na verdade era perda de tempo? Agora mulheres héteros sentem tesão por pornô lésbico? Então tudo isso foi uma mentira? Eu até agora não acredito em mulheres héteros que sentem tesão em pornô lésbico mas tudo bem. Depois repensei e lembrei que eu sentia tesão pelo corpo delas também, não só no pornô, aí eu vou pesquisar sobre isso, e falam que mulheres héteros também sentem tesão por mulheres peladas e eu fiquei tipo?????? Mano , como que uma mulher hétero sente tesão por outra mulher? Até hoje acho que isso é mentira, ou essas mulheres """héteros"""" sentem atração por mulher, mas não quer se rotular como lésbica ou bi. Depois, eu vi pessoas bissexuais falando que pra se descobrir bi, precisa ver relatos de outros bissexuais pra se identificar , então decidi pesquisar sobre esses relatos e eu vi que algumas pessoas se imaginavam beijando ou se apaixonando por atrizes ou atores, e foi por isso que eles se descobriram bi, o problema é que eu nunca fui de me imaginar beijando ninguém kkkkkk pior mulher, pq eu nasci em uma família muito religiosa e eu tenho um pouco de homofobia, então só de imaginar beijando mulher, eu achava estranho (hoje em dia não acho mais). Depois, eu fui em mais e mais sites, e vi coisas muito absurdas e estranhas, coisas que me definia muito e outras não. Vocês acham que é certo eu seguir dicas de sites, ou EU que não preciso de site pra me descobrir? E sobre os sites em que mulheres """"héteros"""" podem sentir tesão por outras mulheres, vocês acham que isso é verdade??? (eu não acho, nem fudendo que isso é verdade kkkkk acho que são mulheres que estão se reprimindo).
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2020.09.30 02:59 Maeve555 Os sites que falam sobre sexualidade estão certos?

No início desse ano até hoje, estou me descobrindo bissexual,por que eu sempre senti um tesão muito forte em fotos de mulheres peladas, e quando eu assisti pornô lésbico pela primeira vez, eu sentia muito prazer. E essa não foi um dos motivos de eu ter questionado minha sexualidade, mas porque antes eu senti um sentimento muito forte por uma garota, tanto que eu fiquei um pouco obcecada por ela, stalkeava o insta dela, quando ela postava fotos dela meu coração disparava e eu sentia um frio na barriga ou até quando ela mandava mensagem, eu queria estar a todo o momento perto dela, poder tocar a pele dela. Então pra eu descobrir um pouco sobre a Bissexualidade, eu decidi pesquisar em alguns sites sobre esse tema, e lá eu vi que bissexuais não se sentem muito atraídos por ambos os sexos, tem meio que uma porcentagem 40% mulher 50% homem, Bissexualidade não é você sentir atração 50% mulher e 50% homem, quando eu descobri isso, eu vi que eu poderia ser bissexual (porque eu sempre fui mais atraída por homem, apesar de nunca ter experimentado nada com mulher), mas depois de uns meses, eu vi que tinha dias que eu pensava muito em mulheres e já tinha outros que eu não queria nada com elas. Pra poder descobrir mais sobre mim, pesquisei sites sobre mulheres HÉTEROS que sentiam tesão em pornô lésbico, achei aquilo um absurdo e fiquei com raiva e pensei "mano agora que eu tô me descobrindo bissexual, eles vem com essa de que mulher "hétero" gosta de pornô lésbico? Nada haver mano, como uma hétero vai gostar de sexo lésbico????", Eu só fiquei com raiva, porque pensei :essa minha "descoberta" na verdade era perda de tempo? Agora mulheres héteros sentem tesão por pornô lésbico? Então tudo isso foi uma mentira? Eu até agora não acredito em mulheres héteros que sentem tesão em pornô lésbico mas tudo bem. Depois repensei e lembrei que eu sentia tesão pelo corpo delas também, não só no pornô, aí eu vou pesquisar sobre isso, e falam que mulheres héteros também sentem tesão por mulheres peladas e eu fiquei tipo?????? Mano , como que uma mulher hétero sente tesão por outra mulher? Até hoje acho que isso é mentira, ou essas mulheres """héteros"""" sentem atração por mulher, mas não quer se rotular como lésbica ou bi. Depois, eu vi pessoas bissexuais falando que pra se descobrir bi, precisa ver relatos de outros bissexuais pra se identificar , então decidi pesquisar sobre esses relatos e eu vi que algumas pessoas se imaginavam beijando ou se apaixonando por atrizes ou atores, e foi por isso que eles se descobriram bi, o problema é que eu nunca fui de me imaginar beijando ninguém kkkkkk pior mulher, pq eu nasci em uma família muito religiosa e eu tenho um pouco de homofobia, então só de imaginar beijando mulher, eu achava estranho (hoje em dia não acho mais). Depois, eu fui em mais e mais sites, e vi coisas muito absurdas e estranhas, coisas que me definia muito e outras não. Vocês acham que é certo eu seguir dicas de sites, ou EU que não preciso de site pra me descobrir? E sobre os sites em que mulheres """"héteros"""" podem sentir tesão por outras mulheres, vocês acham que isso é verdade??? (eu não acho, nem fudendo que isso é verdade kkkkk acho que são mulheres que estão se reprimindo).
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2020.09.28 10:24 UninformedImmigrant U wot m8? Estórias de um gajo que se mudou para o UK [Capítulo 2: Que se lixe isto, vou comprar um carro]

Olá amigos. Hoje vamos falar de carros, um assunto que me é muito querido.

Take-Aways Principais

Driving is love, driving is life

Quando tinha 14 anos os meus pais deram-me uma motinha de 50cc velhinha. Tinha dezenas de milhares de quilómetros, estava a precisar de algum trabalho, gastava muita (MUITA) gasolina, mas era minha. A partir desse dia tornei-me independente: tinha a possibilidade de ir onde quisesse, quando quisesse. Toda a cidade passou a estar acessível no espaço de minutos e não horas, e as aldeias envolventes em "meias horas" e não horas. Deixei de ter que pedir para que me levassem aos sítios, passei a ir quando queria ou precisava. Com algum dinheiro da mesada podia ir saindo com os amigos e começando a ter uma vida mais "adulta". Pouco tempo depois, ainda por volta dos 14, aprendi a conduzir carros também (em estradas privadas, claro).
O valor desta transição é absolutamente imensurável no desenvolvimento de um miúdo. Passa a haver responsabilidade. Quando tinha acidentes, o que acontece de certeza, a culpa era minha e havia consequências. O corpo doía, a mota aparecia riscada e a precisar de reparações, e o que não conseguisse fazer eu tinha que encontrar forma de pagar. Os vizinhos queixavam-se do barulho. Quando chovia chovia-me em cima, e quando fazia frio de manhã a mota não queria pegar. Mas! Quando queria ir ao Continente comprar doces podia ir, quando queria ir visitar o meu pai não tinha que pedir boleia a ninguém, e por aí fora.
A experiência de começar a conduzir muito cedo, particularmente no ambiente "controlado" de uma cidade pequena, serve também para desenvolver algum instinto (à falta de melhor expressão) para a condução, nomeadamente para as duas partes fundamentais que as constituem:
Eu não sei como tem sido ultimamente, mas o processo de obter a licença dos 14 anos há quase 20 anos atrás era ridiculamente simples. Eu sinto que isso não é necessariamente mau, pois reduz a barreira de entrada à condução numa altura em que ainda é possível ganhar aquele "jeito" para a condução sem se tornar uma coisa estrangeira e forçada. Tudo somado, foi facilmente uma das experiências que mais serviram para me fazer crescer naquela altura, e algo que pretendo certamente incutir em infelizes filhos que alguma vez venha a ter.
Quando fiz 18 anos deram-me um carro (muito) velhinho para as minhas voltinhas em Coimbra, para onde iria estudar. Mais uma vez, é um privilégio: era muito velhinho, o seguro era baratinho e o imposto também, mas mesmo assim nem toda a gente conseguia ter o seu próprio carro. Por ter carro nunca precisei de usar os autocarros muito regularmente, o que me permitiu poupar noutras coisas: podia fazer as minhas próprias mudanças quando mudava de casa, podia participar em actividades extra-aulas com mais facilidade, etc etc. Fui quase sempre designated driver, mas sempre foi uma responsabilidade que aceitei com muito gosto: é bom de ter a oportunidade de levar os meus amigos a casa em segurança no fim de uma noite de castanhada. Se eu próprio quisesse participar na castanhada, a Maria normalmente voluntariava-se para trazer o carro para casa.
Ter um carro velho, sem modernices como sensores (ahah), GPS, rádio (exacto), direcção assistida ou ABS, permitiu-me fazer certas coisas. Com a liberdade de experimentar, pude tentar fazer várias reparações eu próprio; notavelmente, o disco de embraiagem que neste momento está nesse carro, que ainda anda, fui eu que o coloquei lá. Pude também fazer uso de alguns baldios que há em Coimbra e arredores para aprender a controlar o carro em situações mais extremas; uma espécie de curso de condução em condições adversas do homem pobre. O que é que acontece se tiver que fazer uma travagem de emergência em piso escorregadio? Como compensar a falta de ABS caso as rodas tranquem? E se a traseira deslizar?
Conduzir, para mim, não é um privilégio nem uma mania nem um capricho. É uma das pedras basilares da forma como lido com o dia-a-dia, uma forma inalienável de independência. O transporte pessoal é uma extensão do meu corpo e conduzir é um escape muito, muito importante.

Viver no campo sem carro

Durante os primeiros 6 meses que passei no UK tive que viver sem transporte próprio; apenas conduzi carros alugados por curtos períodos para ver casas ou fazer mudanças. Usei esses meses para me ambientar, deixar passar o primeiro inverno, estabelecer-me no trabalho e tratar de todas aquelas burocracias que discutimos no capítulo anterior. Aguentei todo esse tempo graças ao facto de a empresa para quem trabalho oferecer um serviço de shuttles para funcionários, que liga o campus às cidades e vilas mais próximas, numa das quais eu vivo. Isto permitiu-me não me preocupar com transportes para o trabalho durante meses, o que foi uma benesse incrível.
Estes primeiros meses foram de adaptação, de exploração e de cometer erros parvos. De aprender a perceber os Ingleses, como se comportam nas coisas mais básicas, e de me tentar misturar com eles com sucesso. Eu optei por viver no campo (i.e. significativamente fora das cidades grandes aqui à volta) por várias razões:
Tirando as viagens casa-trabalho-casa, a minha mobilidade estava muito reduzida. Ir a qualquer lado envolvia caminhar uma distância suficientemente grande para me chatear, no mínimo até à estação dos comboios e depois outro tanto onde quer que fosse. Ir às compras era um pau no cu porque tinha que as arrastar pelo monte acima até casa, pelo menos até descobrir que os supermercados entregam em casa por um preço muito muito razoável.
E depois há a rede de transportes. Eu adoro andar de comboio, mas infelizmente aqui é impossível. Nós somos dois, e ir à cidade mais próxima custa-me, pelo menos, umas 20 libras em bilhetes de comboio. Para comparação, demoro uns 25min a chegar lá de carro (mais ou menos o mesmo) e gasto talvez 2 ou 3 libras de combustível. Já para não falar no congestionamento a certas horas, em que não só os bilhetes são estupidamente mais caros, como temos que fazer a viagem toda em pé. Viagens grandes então nem se fala! Eu quero ir à Escócia ver se encontro a Nessie, e a viagem de comboio para 2 pessoas, ida e volta, ia-me custar facilmente 1000£!! Os comboios em si são espectaculares; fazem os nossos velhinhos Intercidades parecer ainda mais velhos e merdosos do que são mesmo.
Aos autocarros aplicam-se comentários semelhantes, com algumas agravantes. Não só são caros como tendem a não andar a horas, são populados com as pessoas mais nojentas que se consiga imaginar, e devem ser limpos à saída da fábrica e nunca mais.
Se calhar sou eu que sou maniento, se calhar acham que sou um snob mal habituado que anda de cu tremido desde cachopo, se calhar acham que devia era viver uns anos sem carro para ver o que é bom. Eu cá acho que paguei as minhas favas e agora mereço andar de carro até me doerem os joellhos. Eu antes quero poder ter carro e viver deslocado da cidade, do que viver no centro e andar no meio do magote enfiado em autocarros bolorentos e metros a cheirar a mijo. São escolhas. Não vejo grande apelo na "vida cultural" da cidade, da qual até posso desfrutar pegando no carrito e indo lá ver o que é o quê.

Comprar um carro

Um dia destes, com a conta do banco recheada de dinheiro de devolução de impostos, decidi que estava na hora de comprar um carro. Andei a ver carros novos e usados, e decidi que o hot hatch era para mim. Algo na vizinhança das 20000 libras, 10 pagas à entrada e outras 10 pagas em prestações durante uns 3 anos. Parecia-me razoável, estava bem dentro dos limites do que podia pagar e não me impedia de ir chegando aos meus objectivos de poupança.
Marquei um test drive e apanhei um comboio até ao stand. Chegado lá, aproveitei para fazer todas as perguntas e mais alguma ao vendedor, entre as quais como funcionaria o financiamento. Aí ele entregou as más notícias: com menos de 3 anos de residência, é virtualmente impossível conseguir financiamento para um carro, muito menos naqueles valores. Chateei-me, chamei um taxi e fui-me embora sem muito mais conversa. Fiquei fodido. Ainda verifiquei junto do meu banco com esperança da que eles, sabendo quanto ganho, etc, fizessem um jeitinho. Os valores a que me podia candidatar era muito mais baixos do que alguma vez funcionariam, por isso desisti do financiamento. Pela primeira vez na minha vida, ia comprar um carro a pronto.
Passei umas semanas a estudar melhor o mercado de usados. Andei a ver no autotrader [1], aparentemente o site mais popular de anúncios de carros. A primeira coisa em que reparei foi o quão mais baratos os carros são aqui que em Portugal. Eu sempre achei os carros usados caríssimos em Portugal, mas isto trouxe à luz o quão roubado o tuga médio é quando compra um carro. Para terem uma ideia, um familiar meu tinha comprado um carro por 5000€ (valor ajustado ao mercado) pouco antes de me mudar para cá. O mesmo carro, mesmo ano, mesmo trim level, com menos quilómetros, aqui custava 750£. Telefonei-lhe a gozar com ele, foi incrível.
Então decidi que o meu orçamento seria os tais 10k que pretendia originalmente dar como entrada. Deixei de parte a ideia do hot hatch para poder comprar algo mais recente, pois queria um carro com 2 ou 3 anos no máximo. Este limite não era tanto por cagança, mas porque queria apostar mais na fiabilidade do que noutros aspectos. Um carro mais novo, com menos quilómetros, tem uma probabilidade menor de me dar problemas no início, o que me compra tempo para conhecer o panorama de oficinas aqui à volta, o que esperar do seguro, etc. Pequeno, novo, simples, fiável; fui à caça
Há um conjunto de coisas a ter em atenção quando se procurar um carro usado:
Curiosamente, acabei por comprar o meu carro no mesmo stand onde fui antes, ao mesmo vendedor que me tinha entregue a triste notícia sobre o financiamento. Ele ficou impressionado por me ver de volta, mas a vida tem dessas coisas. Apenas fiz um test drive, e comprei imediatamente o carro. Pode parecer precipitado, mas:
bom negócio. Um bocadinho acima do valor de mercado segudo o autotrader, mas nada de muito preocupante.
Ficou marcado ir levantar o carro dali a 2 dias, e entretanto teria de tratar do seguro. Eu já tinha feito algumas simulações de seguros, portanto sabia o que esperar, mas mesmo assim achei caro: quase 1000£ ano para o seguro de um carro pequeno. Entretanto tenho explorado melhor o assunto, e parece que o mercado de seguros no UK sofre de graves problemas:
Para tornar o sistema verdadeiramente insultuoso, há seguradoras que oferecem potenciais descontos se instalarmos no carro um tracker da sua eleição [4]. Ou seja: cobram o que quiserem e ainda querem saber onde ando e a que velocidade ando, e se eu conduzir "bem" segundo lá os critérios deles, fazem-me um desconto; se não gostarem da minha condução sobem-me o preço. Naturalmente, mandei-os passear e paguei mais por um seguro sem tracker. Honestamente, acho a mera proposta de me deixar espiar por um potencial desconto no seguro nojenta: é o reflexo de um sistema profundamente partido. Ninguém diz a um português o que é conduzir "bem", caralho.
O seguro do carro trata-se todo online, o que para mim é muito estranho, e até se pode verificar online se o carro tem seguro [5]. Os comparadores de preços [6] são nosso amigos, mas cuidado com eles por vezes; já li casos de pessoas que tiveram apólices canceladas por tentarem muitas comparações com detalhes ligeiramente diferentes (infelizmente não encontrei uma ref para esta, mas penso que foi no /LegalAdviceUK). Correndo o risco de me repetir, o sistema de seguros auto aqui está profundamente desregulado e a precisar de alguém com tomates para o resolver. Certamente não será o BoJo.
No dia em que levantei o carro:
Dias depois recebi o novo V5C em meu nome. O V5C é uma espécie de livrete, ou "documento único" se formos modernos, mas ao contrário do livrete nunca deve andar no carro pois é muito fácil transferir o V5C para outro nome sem intervenção do dono anterior. Mais curiosamente ainda, o V5C não prova propriedade do carro, apenas quem é o "registered keeper" dele. Por outras palavras, a minha única forma de demonstrar que sou dono do carro é a factura que me deram quando o comprei. Neat.
Sentei-me no carrito, carreguei no botão para arrancar o motor pensando "que modernice", e ele lá acordou. Curiosamente, só nesta altura é que me ocorreu: se calhar não era uma má ideia ir ler sobre as regras da estrada aqui. Sorte a minha, o governo tem a totalidade do Highway Code [8] disponível no site, e tenho-o lido aos bocadinhos. Mais sobre isso no próximo capítulo.
Curiosamente, não é preciso termos connosco nenhuma documentação quando conduzimos [9]. Os Ingleses têm uma abordagem diferente da nossa no que toca à documentação; é tudo guardado em bases de dados do governo, e eles só precisam de verificar a matrícula contra a base de dados para saber se está tudo bem. O condutor apenas precisa de ter a carta de condução, e alguma identificação por conveniência. Eu pessoalmente costumo ter o cartão de cidadão e a carta de condução. Idealmente teria o passaporte, mas evito andar com o passaporte no bolso, e o cartão de cidadão deve ser mais do que suficiente como identificação até no mundo pós-brexit. Na realidade penso que a carta de condução por si chegaria, mas mais vale estar seguro né?
Virei proprietário do meu próprio veículo! Mais um, porque nunca vendi o bolinhas que está em Portugal.

Conclusão

Tenho que confessar que estou impressionado pela positiva com a experiência que foi comprar um carro no UK. O processo foi muito mais simples do que esperava, e praticamente tudo se tratou no stand na hora da compra. Até o seguro podia ter ficado logo resolvido, mas eu preferi fazer em casa com mais algum controlo sobre isso. Nota-se que é um sistema muito mais polido que em Portugal, pelo menos na minha experiência.
A minha relação próxima com a condução começa a entrar, infelizmente, em rota de colisão com o status quo: vivemos num mundo que cada vez menos suporta o transporte individual. Há gente a mais no mundo, e há carros a mais no mundo, há fumo a mais no mundo. Na realidade, há "a mais no mundo" de quase tudo o que é mau, pessoas incluídas. Sinto que esta minha necessidade de conduzir vai brevemente bater de frente contra a necessidade global de cortar no transporte individual a favor de transportes colectivos. Até lá, vou aproveitar as espectaculares estradas de campo aqui à volta, particularmente a horas em que não estejam completamente congestionadas. Fiquem de olho, o próximo capítulo vai falar sobre a experiência que é conduzir no UK, e como é que difere do que eu esperava.
Desta feita apontei para um post mais curto que o anterior, que essencialmente parte este assunto em dois: este primeiro cobre o processo de como (e porquê) comprei o carro, e o seguinte vai cobrir a experiência de conduzir em si. Notei que o engagement no capítulo 1 foi menor que nos posts anteriores, e suspeito que ler uma epopeia tão longa não ajuda; digam-me nos comments se tenho razão.
Abraços, e obrigado por virem à minha TED talk.

Referências

Capítulos Anteriores

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2020.09.26 01:53 altovaliriano Descriptografando a Carta Rosa

Texto original: https://cantuse.wordpress.com/2014/09/30/the-pink-lette
Autor: Cantuse
Partes traduzidas: 1) A Estrada Para Vila Acidentada, 2) Uma Aliança de Gigantes e Reis, 3) Despindo o Homem Encapuzado, 4) Confronto nas Criptas, 5) Tendências Suicidas
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OBS: Esta é a última parte que traduziremos por agora.
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O MANIFESTO : VOLUME II, CAPÍTULO VII

Não há como negar que resolver o mistério da Carta Rosa é uma imbróglio complicado. Já existem dezenas de teorias.
Resolver esse mistério tem sido um dos grandes objetivos do Manifesto desde o início, e acho que fiz um bom trabalho de construção progressiva até este ponto.
NOTA: O ideal era que você tivesse lido todos os ensaios até este ponto, mas se você insiste em ler assim, eu sugiro que pelo menos você leia Confronto nas Criptas e Tendências Suicidas primeiro.
Vamos direto ao assunto. Neste ensaio, estou apresentando os seguintes argumentos.
À luz das muitas teorias anteriores estabelecidas aqui no Manifesto, podemos desenvolver um entendimento muito convincente da chamada Carta Rosa e do que ela realmente diz.
[...]

A CARTA ROSA

Esta seção é apenas uma recapitulação da carta, seu texto e as várias outras características que possui.
Coloco esta seção aqui como uma referência fácil durante a leitura deste ensaio.

O texto

Seu falso rei está morto, bastardo. Ele e toda sua tropa foram esmagados em sete dias de batalha. Estou com a espada mágica dele. Conte isso para a puta vermelha.
Os amigos de seu falso rei estão mortos. Suas cabeças estão sobre as muralhas de Winterfell. Venha vê-las, bastardo. Seu falso rei morreu, e o mesmo acontecerá com você. Você disse ao mundo que queimou o Rei-para-lá-da-Muralha. Em vez disso, você o enviou para Winterfell, para roubar minha noiva.
Terei minha noiva de volta. Se quer Mance Rayder de volta, venha buscá-lo. Eu o tenho em uma jaula, para que todo o Norte possa ver, a prova de suas mentiras. A jaula é fria, mas fiz um manto quente para ele, com as peles das seis putas que o seguiram até Winterfell.
Quero minha noiva de volta. Quero a rainha do falso rei. Quero a filha deles e a bruxa vermelha. Quero sua princesa selvagem. Quero seu pequeno príncipe, o bebê selvagem. Quero meu Fedor. Mande-os para mim, bastardo, e não incomodarei você e seus corvos negros. Fique com eles, e eu arrancarei seu coração bastardo e o comerei.
Estava assinado:
Ramsay Bolton
Legítimo Senhor de Winterfel
(ADWD, Jon XIII)

A descrição da carta

Bastardo, era a única palavra escrita do lado de fora do pergaminho. Nada de Lorde Snow ou Jon Snow ou Senhor Comandante. Simplesmente Bastardo. E a carta estava selada com um pelote duro de cera rosa.
Estava certo em vir imediatamente – Jon falou. Está certo em ter medo.
(ADWD, Jon XIII)

DIFICILMENTE O BASTARDO

Acho que já fiz um argumento convincente de que Mance Rayder está disfarçado de Ramsay Bolton (veja o Confronto nas Criptas).
Mas tenho certeza de que os leitores apreciariam pelo menos uma rápida avaliação das muitas outras razões pelas quais não acredito que a carta possa ser de Ramsay.
Especificamente, esta seção está identificando maneiras pelas quais a carta é incoerente com o que sabemos sobre Ramsay. Não acredito que nada disso por si só desqualifique Ramsay como autor, mas coletivamente elas geram grandes dúvidas.
Se minuciosas listas de evidências o aborrecem, pule para a próxima seção.

Falta o botão

Todas as cartas anteriores de Ramsay foram seladas com "botões" bem formados de cera:
Empurrou o pergaminho, como se não pudesse esperar para se ver livre dele. Estava firmemente enrolado e selado com um botão de cera dura rosa.
(ADWD, A noiva rebelde)
Clydas estendeu o pergaminho adiante. Estava firmemente enrolado e selado, com um botão de cera rosa dura.
(ADWD, Jon VI)
A Carta Rosa é lacrada com "pelote duro de cera rosa", uma discrepância notável.

Cabeças na Muralha

Enfiar cabeças em lanças parece um tanto incoerente com o estilo pessoal de Ramsay e com os maneirismos de Bolton observados a esse respeito: esfolar ou enforcar.

Sem pele ou sangue

Um dos artifícios mais conhecidos de Ramsay é o envio de mensagens escritas com sangue e com pedaços de pele anexados.
Não há menção de sangue usado como tinta, nem está implícito, como ocorre em outras cartas que parecem ser dele. Definitivamente, não há menção a um pedaço de pele, o que é estranho, considerando que Ramsay afirma ter Mance Rayder e todas as seis esposas de lança ... certamente uma delas poderia fornecer um pouco de pele.

Como Ramsay saberia?

Por que Ramsay pede Theon a Jon ?
Se Theon foi entregue a Stannis, e Stannis tinha toda a intenção de matá-lo, por que Ramsay acreditaria que Theon está agora com Jon?
Nem mesmo Mance Rayder saberia disso.
Além disso, “Arya” foi entregue a Stannis também, via Mors Papa-Corvos.
Por que ele acreditaria que Arya está com Jon?
Se todo a hoste de Stannis foi realmente destruída, você deve se perguntar onde Ramsay ficou sabendo destes detalhes, principalmente com relação a Theon.
É uma suposição sensata pensar que Stannis pode enviar "Arya" de volta a Castelo Negro (na verdade, foi o que Stannis faz), mas mesmo uma formação primária em inteligência [militar] torna óbvio que Theon seria de grande valor estratégico em uma batalha contra Winterfell, mas em nenhum outro lugar.
Uma pessoa pode então arguir que isso só pode significar que o corpo de Theon não foi descoberto entre os mortos. No entanto, dadas as condições meteorológicas, essa provavelmente é uma tarefa impossível de realizar. Portanto, Ramsay não teria nenhuma base e nenhuma confiança para pensar que Jon tinha Theon em absoluto.

ENDEREÇADO À MULHER VERMELHA

No início deste ensaio, declarei que a Carta Rosa se destinava especialmente a Melisandre. Preciso lhes dar as evidências. Tanto aquelas dedutivas (ou razoáveis), quanto aquelas que estão implícitas ou que foram estabelecidas daquele jeito inteligente e sutil que Martin faz com frequência.

Missão de Mance

Como já estabeleci no Manifesto, a missão de Mance baseava-se em saber onde seria o casamento de Arya.
Assim, quando Jon recebeu seu convite de casamento, Mance deveria partir para Vila Acidentada.
Jon acidentalmente recebeu o convite enquanto estava no pátio de treinamento, lutando com Mance disfarçado de Camisa de Chocalho. Assim, Mance foi capaz de simplesmente ouvir o local. Mas não podemos presumir que Mance e Melisandre apostaram tudo em terem a sorte de ouvir qual seria o local.
Uma dedução simples conclui que Mance era capaz e estava determinado a ler as cartas no quarto de Jon até que surgisse a localização.
NOTA: Se esta explicação parece insuficiente, eu apresento o argumento por completo em um ensaio anterior A estrada para Vila Acidentada.
Isso também significa que o convite não era realmente para Jon, mas sim para Melisandre e Mance, como um 'gatilho' para o início de sua missão. Novamente, eu explico a base para essas conclusões no ensaio mencionado acima.
Isso estabelece o precedente de que as mensagens enviadas para Castelo Negro podem, de fato, ter a intenção de se comunicar secretamente com Melisandre.

Ratos Cinzentos

Aqui há um exemplo de Martin possivelmente invocando um dispositivo que é sua marca registrada: enterrar recursos de enredo relevantes para uma história em outra, geralmente via metáforas ou alegorias inteligentes.
Três citações devem ser suficientes para você entender (em negrito, para dar ênfase nas partes principais):
Três deles entraram juntos pela porta do senhor, atrás do palanque; um alto, um gordo e um muito jovem, mas, em suas túnicas e correntes, eram três ervilhas cinza de uma vagem negra.
(ADWD, O Príncipe de Winterfell)
:::
Se eu fosse rainha, a primeira coisa que faria seria matar todos esses ratos cinzentos. Eles correm por todos os lados, vivendo dos restos de seus senhores, tagarelando uns com os outros, sussurrando no ouvido de seus mestres. Mas quem são os mestres e quem são os servos, realmente? Todo grande senhor tem seu meistre, todo senhor menor deseja ter um. Se você não tem um meistre, dizem que você é de pouca importância. Esses ratos cinzentos leem e escrevem nossas cartas, principalmente para aqueles senhores que não conseguem ler eles mesmos, e quem diz com certeza que eles não estão torcendo as palavras para seus próprios fins? Que bem eles fazem, eu lhe pergunto.
(ADWD, O Príncipe de Winterfell)
:::
Lorde Snow. – A voz era de Melisandre.
A surpresa o fez afastar-se dela.
Senhora Melisandre. – Deu um passo para trás. – Confundi você com outra pessoa.À noite, todas as vestes são cinza. E subitamente a dela era vermelha.
(ADWD, Jon VI)
A noção de que todos os mantos são cinza parece equivocada: Melisandre equivale a um meistre .
O que é verdade em muitos sentidos: ela é definitivamente uma conselheira de Stannis e 'sussurra' em seu ouvido. E talvez o mais notável seja o fato de que muitos questionam quem realmente está no comando: Stannis ou sua mulher vermelha?
Quando você vê esses paralelos, a alusão a ela usar vestes cinzas tem uma conexão forte e interessante com o conceito de cartas em que alguém está 'torcendo as palavras'.
Afinal, eu dei argumentos convincentes de que o convite de casamento de Jon era para Mance e Melisandre e foi enviado por Mors Papa-Corvos. Alguém contestaria a noção muito razoável de que outras cartas seriam igualmente confidenciais?
Outra coisa engraçada sobre essa ideia é que Melisandre literalmente distorce as palavras para seus próprios propósitos:
O som ecoou estranhamente pelos cantos do quarto e se torceu como um verme dentro dos ouvidos deles. O selvagem ouviu uma palavra, o corvo, outra. Nenhuma delas era palavra que saíra dos lábios dela.
(ADWD, Melisandre)

Uma bela truta gorda

Há um outro elemento temático que sugere que as cartas podem possuir conteúdos secretos, uma característica interessante atribuída a duas cartas diferentes em As crônicas de gelo e fogo.
A primeira carta é a de Walder Frey, enviada a Tywin após o Casamento Vermelho:
O pai estendeu um rolo de pergaminho para ele. Alguém o alisara, mas ainda tentava se enrolar. “A Roslin pegou uma bela truta gorda”, dizia a mensagem. “Os irmãos ofereceram-lhe um par de pele de lobo como presente de casamento.” Tyrion virou o pergaminho para inspecionar o selo quebrado. A cera era cinza-prateada, e impressas nela encontravam-se as torres gêmeas da Casa Frey.
O Senhor da Travessia imagina que está sendo poético? Ou será que isso pretende nos confundir? – Tyrion fungou. – A truta deve ser Edmure Tully, as peles…
(ASOS, Tyrion V)
A segunda é a carta ostensiva que Stannis escreveu a Jon Snow enquanto estava em Bosque Profundo. Não vou citar a carta (é um texto imenso), apenas um elemento da descrição:
No momento em que Jon colocou a carta de lado, o pergaminho se enrolou novamente, como se ansioso para proteger seus segredos. Não estava seguro sobre como se sentia a respeito do que acabara de ler.
(ADWD, Jon VII)
O que estou tentando apontar aqui é que a primeira mensagem de Walder Frey definitivamente tinha uma mensagem inteligentemente escondida. E por alguma razão, Martin decidiu mostrar que a carta 'queria' enrolar-se novamente.
A segunda mensagem também quer enrolar-se e, se você a ler com atenção, há um grande número de coisas que são totalmente incorretas ou atípicas em relação a Stannis nela. Cavaleiros homens de ferro? Execução por enforcamento?
Já tomei a liberdade de esquadrinhar tortuosamente os livros e não consigo encontrar de pronto outros exemplos em que as cartas foram personificadas dessa maneira.
Junto com os pontos anteriores, este não reforçaria a ideia de que Melisandre (e Mance por um tempo) está recebendo mensagens camufladas enquanto está em Castelo Negro?

Carta de Lysa

Outra indicação de que tais 'cartas codificadas' não são incomuns é que uma das primeiras cartas que vimos nos livros era uma: a que Catelyn recebe de Lysa.
Seus olhos moveram-se sobre as palavras. A princípio pareceu não encontrar nenhum sentido. Mas depois se recordou.
Lysa não deixou nada ao acaso. Quando éramos meninas, tínhamos uma língua privada.
(AGOT, Catelyn II)
* * \*
Deve ser apontado que isso também faz sentido de uma perspectiva puramente lógica. Como já argui veementemente que Stannis, Mance e Melisandre conspiraram juntos, faria sentido que todas as partes precisassem ser capazes de se comunicar de uma forma que protegesse a referida conspiração.
Nesse ponto, tal tipo de carta constitui a opção mais adequada, como mostram as cartas de Walder Frey e Lysa Tully.
Esse tipo de proteção de carta – enterrar uma mensagem secreta em outra mensagem, de modo que não possa ser detectada – é conhecido como esteganografia.
A Dança dos Dragões faz de tudo para educar os leitores de que nem sempre se pode confiar nos meistres com segredos: ouvimos isso de Wyman Manderly e Barbrey Dustin. No entanto, se um rei ou outro oficial escrever suas cartas com mensagens secretas esteganográficas, os verdadeiros detalhes serão ocultados até mesmo dos meistres. Na verdade, foi exatamente isso que observamos na carta de Walder Frey a Tywin Lannister.
Meu objetivo final neste ensaio é convencê-lo de que a Carta Rosa é uma mensagem esteganográfica de Mance Rayder para Melisandre. A forma como foi escrita esconde seus segredos de qualquer meistre (ou Jon Snow) que tente interpretá-la.
A principal desvantagem de tentar decifrar qualquer mensagem esteganográfica é esta:
Por que eles não encontraram nada? Talvez eles não tenham procurado o suficiente. Mas há um dilema aqui, o dilema que capacita a esteganografia. Você nunca sabe se há uma mensagem oculta. Você pode pesquisar e pesquisar, e quando não encontrar nada, você pode apenas concluir “talvez eu não procurei com atenção”, mas talvez não haja nada para encontrar.
ESTRANHOS HORIZONTES, ESTEGANOGRAFIA: COMO ENVIAR UMA MENSAGEM SECRETA
Isso significa que a única maneira real de provar a você que Mance escreveu a Carta Rosa é se eu conseguir encontrar uma tradução irresistivelmente convincente de qualquer conteúdo secreto que ela possa ter.
E mesmo assim você pode argumentar que não é verdade. Embora eu espere que você não diga isso quando terminar este ensaio.

Querida Melisandre

Além de todos os pontos acima, Melisandre consegue tornar tudo ainda mais explícito. Antes da chegada da Carta Rosa, Melisandre diz:
Todas as suas perguntas serão respondidas. Olhe para os céus, Lorde Snow. E, quandotiver suas respostas, envie para mim. O inverno está quase sobre nós. Sou sua única esperança.
(ADWD, Jon XIII)
Isso parece enfaticamente dizer a Jon que ela quer vê-lo depois que a carta chegar.
Observe como ela está lá quando Jon decide ler a carta em voz alta no Salão dos Escudos. Eu sei que isso parece um detalhe trivial, mas considere que ela não apareceu antes do início da reunião e que ela desapareceu quase imediatamente após Jon terminar.
Isso está relacionado à principal preocupação que a vemos expressar em sua conversa com Jon antes da chegada da carta: abandonar a caminhada para resgatar os que estavam em Durolar.
Mas por que?
Este é um ponto que revelarei mais tarde no Manifesto. Por enquanto, deve bastar saber que Melisandre queria ver ou ouvir o conteúdo dessa carta.

VERNÁCULO SELVAGEM

Nas próximas duas seções, demonstrarei por que a Carta Rosa foi escrita por Mance. Esta primeira seção consiste em detalhes o que vemos no texto, a linguagem usada e assim por diante.
Em particular, existem frases que são bastante específicas para Mance (ou que excluem Ramsay), e também detalhes que são específicos para a conspiração Mance-Melisandre.
Se minuciosas listas de evidências o aborrecem, pule para a próxima seção.

“Falso Rei”

Esta frase é especificamente o que Melisandre usa para se referir a Mance Rayder, ela o chama de falso rei duas vezes. Quase não aparece em nenhum outro lugar em A Dança dos Dragões , a exceção sendo uma instância onde Wyman Manderly declara Stannis um falso rei.

“Corvos Negros”

Os selvagens são as únicas pessoas que usam os termos corvo ou corvo negro em um sentido depreciativo.
A única exceção a isso é Jon Snow (o que é interessante), quando ele está tentando convencer o povo livre.

“Princesa Selvagem” e “Pequeno Príncipe”

O termo princesa selvagem abunda na Muralha, uma invenção dos irmãos negros que então se espalhou entre os homens da rainha.
O pequeno príncipe foi especificamente apresentado na Muralha, primeiro por Melisandre e depois por Goiva:
Melisandre tocou o rubi em seu pescoço. – Goiva está amamentando o filho de Dalla, além do seu próprio. Parece cruel separar nosso pequeno príncipe de seu irmão de leite, senhor.
(ADWD, Jon I)
Faça o mesmo, senhor. – Goiva não parecia ter nenhuma pressa em subir na carroça. – Faça o mesmo pelo outro. Encontre uma ama de leite para ele, como disse que faria. Prometeu-me isso. O menino... o menino de Dalla... o principezinho, quero dizer... encontre uma boa mulher pra ele, pra que ele cresça grande e forte.
(ADWD, Jon II)
Embora uma pessoa possa pensar que Melisandre está sugerindo de maneira sutil que sabe sobre a troca do bebê, isso não fica claro. O trecho sobre Goiva certamente deixa isso explícito.
O verdadeiro ponto aqui é que a terminologia aqui só foi vista antes na Muralha. Além disso, uma vez que nem Val nem o filho de Mance são verdadeiramente da realeza, não faz muito sentido que Mance ou qualquer uma das esposas de lança digam que são, mesmo que sob tortura.

Para que todo o Norte possa ver

O autor afirma que tem Mance Rayder em uma jaula para que todo o Norte possa ver.
Mance disse algo muito semelhante a Jon anteriormente:
Ele queimou o homem que tinha que queimar, para todo mundo ver. Fazemos o que temos que fazer, Snow. Até mesmo reis.
(ADWD, Jon VI)

INCLINAÇÃO PARA A SAGACIDADE

Além dos vários atributos já citados que favorecem Mance como autor, há um que se sobressai a todos:

Disfarçado de Camisa de Chocalho

Observe:
Vou patrulhar para você, bastardo – Camisa de Chocalho declarou. – Darei conselhos sábios, ou cantarei canções bonitas, o que preferir. Até lutarei por você. Só não me peça para usar esse seu manto.
(ADWD, Jon IV)
É muito difícil negar que esta não seria uma grande alusão ao próprio Mance em quase todos os detalhes. É tão certeiro que estou surpreso de que Melisandre ou Stannis não o tenham repreendido ou o mandado calar a boca.
Stannis queimou o homem errado.
Não. – O selvagem sorriu para ele com a boca cheia de dentes marrons e quebrados. – Ele queimou o homem que tinha que queimar, para todo mundo ver. Fazemos o que temos que fazer, Snow. Até mesmo reis.
(ADWD, Jon VI)
Esta é uma maneira inteligente de sugerir que Stannis queimou o Camisa de Chocalho verdadeiro no lugar de Mance, apenas porque o mundo precisava ver Mance morrer, não porque os crimes de Mance justificassem a execução.
Eu poderia visitar você tão facilmente, meu senhor. Aqueles guardas em sua porta são uma piada de mau gosto. Um homem que escalou a Muralha meia centena de vezes pode subir em uma janela com bastante facilidade. Mas o que de bom viria de sua morte? Os corvos apenas escolheriam alguém pior.
(ADWD, Melisandre)
Como observei em outro ponto do texto, muito provavelmente se esperava que Mance subisse aos aposentos de Jon e lesse suas cartas, se assim fosse necessário para descobrir o local do casamento. Portanto, esta passagem parece ser uma dica engraçada de que ele pode ter estado nos aposentos de Jon, sem nunca tê-lo matado.

Disfarçado de Abel

O apelido de Mance por si só é uma pista inteligente, mas ele dá um passo além em muitos aspectos ao se passar por Abel.
Perto do palanque, Abel arranhava seu alaúde e cantava Belas donzelas do verão. Ele se chama de bardo. Na verdade, é mais um cafetão.
(ADWD, O Príncipe de Winterfell)
Aparentemente, muito pouco se sabe sobre a música. No entanto, um exame cuidadoso de um capítulo em A Tormenta de Espadas revela o primeiro verso da música (pelo menos na minha opinião):
– Vou à Vila Gaivota ver a bela donzela, ei-ou, ei-ou...
Co’a ponta da espada roubarei um beijo dela, ei-ou, ei-ou.
Será o meu amor, descansando sob a tela, ei-ou, ei-ou.
(ASOS, Arya II)
Uma escolha de música inteligente considerando sua inspiração em Bael, o lendário ladrão de filhas que se escondeu nas criptas Stark.
O mesmo poderia ser dito sobre a deturpação de “A Mulher do Dornês” quando ele mudou a letra para ser sobre a “filha de um nortenho”.
Além disso, há ocasiões em que ele toca uma música “triste e suave”, que já demonstrei ser um sinal para as esposas de lança.

UMA TRADUÇÃO LINHA-A-LINHA

Essa é a parte essencial do texto. Vou percorrer toda a Carta Rosa e explicar o que ela realmente diz. Lembre-se de que você deve ter chegado a este ponto no Manifesto tendo lido os textos anteriores, o que significaria que você já assumiu as seguintes premissas (ou pelo menos suspendeu sua descrença sobre elas):
Há apenas uma nova suposição que eu gostaria de fazer, uma bem sensata:
Mance saber esse único detalhe fornece uma pista impressionante para decifrar a Carta Rosa.
Agora vamos lá...

Primeiro parágrafo

Seu falso rei está morto, bastardo.
Isso significa que Stannis fingiu sua morte.
Ele e toda sua tropa foram esmagados em sete dias de batalha.
Isso diz mais ou menos a mesma coisa. Eu acredito que diz ainda mais, mas vou guardar para mais tarde.
Estou com a espada mágica dele.
Como parte da simulação de sua morte, a Luminífera de Stannis será levada para "Ramsay". Isso permite que os Boltons concluam que Stannis está morto, apesar haver uma quantidade limitada de outras evidências sobre isso.
Conte isso para a puta vermelha.
Literalmente, isso está instruindo Jon a contar a Melisandre. É muito interessante que Melisandre tenha implorado a Jon para 'envia-a para mim' depois de ler a carta, e o autor da carta está sugerindo exatamente a mesma coisa.
Coletivamente, o primeiro parágrafo parece um resumo dos principais detalhes: está dizendo que Stannis fingiu sua morte, provavelmente ganhou a batalha, mas que os Boltons estão convencidos da própria vitória. É muita informação de inteligência transmitida em um único parágrafo.
A linha sobre a espada é o que eu acredito ser um sinal a Melisandre para que começasse quaisquer próximos passos que ela tenha em mente (que serão discutidos posteriormente neste Manifesto).

Segundo parágrafo

Os amigos do seu falso rei estão mortos.
Isso significa que os aliados de Stannis também estão fingindo morte. Muito provavelmente, isso significa as tropas daqueles que viajam com Stannis. Por exemplo, Mors Papa-Corvos e seu bando de meninos verdes.
Suas cabeças estão sobre as muralhas de Winterfell.
Usar 'sobre' no sentido de estar perto de algo, isso significa que Mors está nas redondezas de Winterfell.
Venha vê-los, bastardo.
Esta é uma das várias provocações da carta, embora implique que Jon deveria viajar para Winterfell.
Seu falso rei mentiu, e você também. Você disse ao mundo que queimou o Rei-para-lá-da-Muralha.
[na versão brasileira, a frase começa com “Seu falso rei morreu, e o mesmo acontecerá com você”, uma tradução errada do texto original]
Este é o início do anúncio de que Mance Rayder está vivo. A parte em que o autor diz 'Você disse ao mundo' é muito semelhante ao que Mance disse a Jon: “Ele queimou o homem que tinha que queimar, para todo mundo ver. Fazemos o que temos que fazer, Snow. Até mesmo reis.” (ADWD, Jon VI)
Em vez disso, você o enviou para Winterfell, para roubar minha noiva.
Isso informa Jon e Melisandre que Mance terminou em Winterfell. Isso é importante porque, se você se lembra, Mance partiu originalmente para Vila Acidentada. Esta linha, portanto, confirma para onde Mance foi. Também revela que o autor conhecia a missão de Mance.
No todo, o parágrafo parece sugerir que Jon ou alguém precisa se juntar a Mors do lado de fora de Winterfell.
Este parágrafo declara ainda que Jon quebrou seus votos ajudando Stannis e Mance na tentativa de roubar Arya Stark. Isso é interessante porque Jon de fato não queria fazer isso, ele apenas queria resgatar Arya na estrada, presumindo que ela já tivesse escapado. O fato de a carta declarar esses detalhes mostra um esforço calculado para minar a honra e a legitimidade de Jon.

Terceiro parágrafo

Terei minha noiva de volta.
Isso nos diz claramente que “Arya” foi resgatada.
Se quer Mance Rayder de volta, venha buscá-lo. Eu o tenho em uma jaula, para que todo o Norte possa ver, a prova de suas mentiras.
Isso requer uma perspicaz (porém, simples) interpretação da falsa execução do próprio Mance.
Se assumirmos que minha teoria no Confronto nas Criptas está correta, duas observações podem ser feitas:
O acréscimo de ' prova de suas mentiras ' indica que Ramsay não está sob a magia de disfarce e, portanto, caso ele seja encontrado, isso arruinaria o truque.
Tudo isso somado, a implicação da frase dupla:
A jaula é fria, mas fiz um manto quente para ele, com as peles das seis putas que o seguiram até Winterfell.
Esta é uma referência à maneira como Melisandre disse que as seduções [glamors] funcionam: vestindo-se a sombra de outra pessoa como capa. Também parece uma possível alusão a usar a pele de outra pessoa, de acordo com o conto de Bael, o Bardo.
Na íntegra, o terceiro parágrafo parece deixar uma mensagem de que Mance conseguiu se disfarçar de Ramsay, que Ramsay está vivo como um prisioneiro nas criptas e que ninguém parece saber disso. Também pode significar que nenhuma das esposas de lança traiu seu segredo.

Quarto parágrafo

Ao contrário dos parágrafos anteriores, acredito que o quarto parágrafo é direcionado diretamente a Jon Snow. Melisandre pode saber o segredo por trás de seu conteúdo, mas este parágrafo foi elaborado para ter um efeito específico sobre Lorde Snow.
Quero minha noiva de volta. Quero a rainha do falso rei. Quero a filha deles e a bruxa vermelha. Quero sua princesa selvagem. Quero seu pequeno príncipe, o bebê selvagem. Quero meu Fedor.
Essas frases apresentam uma lista de demandas, muitas das quais Jon não tem capacidade de cumprir. Ele não tem permissão para enviar Selyse, Shireen, Melisandre, Val ou o filho de Mance para Winterfell.
Além disso, ele não tem ideia de quem é Fedor.
E independentemente da identidade de Ramsay (o real ou o disfarçado), ambos saberiam que Jon não tem ideia de quem é Fedor.
Esses pedidos colocaram Jon em uma posição tênue. A carta declara abertamente que Jon violou seus juramentos à Patrulha da Noite, participou de uma mentira quando colaborou para resgatar Arya usando Mance, o que também beneficiou a causa de Stannis.
Mande-os para mim, bastardo, e não incomodarei você e seus corvos negros. Fique com eles, e eu arrancarei seu coração bastardo e o comerei.
Esta ameaça sugere fortemente que Jon precisa cooperar ou ele será atacado. Considerando que os Boltons são aliados dos Lannisters, é razoável concluir que os Boltons também usariam a oportunidade para destruir as forças de Stannis em Castelo Negro e fazer muitos reféns.
A carta deixa claro: o envolvimento de Jon com Mance e Stannis resultou em uma ameaça à Muralha, à Patrulha da Noite e à família de Stannis e ao assento de poder.
Jon é então forçado a um dilema:
Em ambos os casos, ele está ferrado e proscrito como um violador de juramentos.
Então, por que Mance enviaria uma linguagem tão provocativa para Jon e Melisandre?
A resposta deriva de vários fatos, alguns dos quais serão discutidos posteriormente no Manifesto. Mas a resposta simples é esta:
O que posso dizer neste momento é que Mance, Melisandre e Stannis sabem que Jon estava disposto a violar seus votos quando era necessário servir à Patrulha da Noite (e por extensão aos sete reinos).
Forçando Jon a se tornar um violador de juramentos, Melisandre e Stannis são capazes de usá-lo de outras maneiras, particularmente de maneiras que não envolvem sua permanência na Patrulha.
Com que propósito Stannis e Melisandre usariam Jon Snow, o violador de juramentos?
Infelizmente para Jon, ele mesmo forneceu a Stannis o motivo para 'roubá-lo' da Patrulha da Noite.
Explicar melhor isso é um dos pontos principais do Volume III do Manifesto.

CONCLUSÕES

A carta como um todo parece ser coerente com as teorias que descrevi até agora, particularmente com o resultado do ‘confronto nas criptas’.
Como discuto nos apêndices, também é coerente com algumas interpretações reveladoras das visões de Melisandre.
Obviamente Melisandre acreditava que a Carta Rosa responderia às perguntas de Jon sobre Stannis, Arya e Mance, e a carta o fez. Ela pensou que isso o obrigaria a confiar nela.
Embora a Carta Rosa tenha respondido suas perguntas, ele ignorou tanto a carta quanto Melisandre quando se recusou a procurá-la e agiu por conta própria. Acredito que isso se deva em grande parte ao fato de ele não perceber que havia segredos no texto; ele entendeu a carta pelo significado literal.
Existem algumas grandes questões que permanecem abertas:
Além disso, parece que Melisandre queria um ou ambos das seguintes coisas:

IMPLICAÇÕES

As perguntas e conclusões que podemos fazer parecem sugerir que chegamos a um beco sem saída. De fato, se continuarmos a tentar entender as coisas pelo ângulo de Mance Rayder, será.
Se dermos um passo para trás e começarmos a investigar algumas das outras pistas, preocupações e mistérios em A Dança dos Dragões, surgem novas ideias que nos levam de volta a Mance e Stannis.
Para aguçar seu apetite, aqui estão as questões importantes, antes de avançarmos para o próximo volume do Manifesto:
Essas e outras perguntas são respondidas no próximo volume do Manifesto, ‘O Reino irá Tremer’.
E, finalmente, para terminar com algum floreio, aqui está uma passagem de A Dança dos Dragões:
O Donzela Tímida movia-se pela neblina como um homem cego tateando seu caminho em um salão desconhecido.
(ADWD, Tyrion V)
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2020.09.24 05:02 DrackNael Capítulo 2 O Mosteiro

O Mosteiro

Na manhã seguinte , monges que estavam se preparando para começar suas orações e trabalhos do dia-a-dia , começam a ouvir um choro vindo do lado de fora da grande construção , que era como uma igreja com dormitórios no subsolo e uma pequena cozinha com refeitório.
-Por quê estamos ouvindo o choro de uma criança? - , pergunta um deles confuso.
-Sei tanto quanto você irmão! -, fala o outro , enquanto os sete monges se dirigem para o lado de fora em direção a um pequeno celeiro que não continha mais que 3 cabras.
Quando todos se deparam com uma criança em cima de alguns poucos fenos que tinham ali, enrolada em uma manta de cor bordo muito fina a primeira vista.
-O quê ? mas como ? Por quê tem uma criança aqui ? - fala um dos homens completamente confuso.
-Hum! -, responde um deles parecendo ser o líder do mosteiro.
-O que faremos irmão Serafim ? -, pergunta um confuso.
-O que mais podemos fazer?-, pergunta o homem para os outros , mesmo sabendo qual era a única resposta provável , iriam ter que criar a criança.
Uma criança que lhes fora deixada ali pra eles , mas porquê? , era uma ilha isolada em um grande lago , eles não viam outras pessoas a anos , mas a vontade da deusa é uma só , e o destino tinha colocado o garoto no caminho dos homens , então não restava a eles questiona.
-Vamos leva-lo para dentro - , fala Serafim , colocando o menino nos braços.
-Ele é um bebê -, começou outro monge , - não devia se alimentar apenas de leite materno? Só temos pão, leite , queijo e peixe , uma criança pode sobreviver se alimentando disso tão cedo? -, pergunta o monge
- Sinta a energia dele , é uma criança forte , ele sobrevivera -, comenta outro monge que estava do lado.
-Entâo vamos -, termina Serafim.
Então a criança foi acolhida , criada e educada desde entâo , mas desde pequena mostrava seu potencial , com cinco meses falou sua primeira palavra em um dia de oração matinal quando os monges terminaram, o menino pronunciou - amém - , depois dos monges , algo que os deixou abismados. Com um ano de vida começou a caminhar e com 2 já começava a aprender a ler e escrever com os monges Ricardo e Sareño que eram responsáveis pelos seus estudos futuros, mas não podiam ensinar tudo sobre o mundo pro menino, pois quando se reclusaram do mundo deixaram tudo para trás, se focando apenas na adoração a deusa Beneveth deusa da benevolência, não podiam ensinar mais do que o necessário para o menino, infelizmente, mas era o juramento que fizeram outrora.
Com três anos o rapaz já ajudava nos afazeres , e com 5 começou a aprender a meditar , o que demonstrou sua alta capacidade de concentrar sua energia que era a força interior da pessoa e que movia tudo no mundo , pois como os monges , eles meditavam e jejuavam o dia todo parando apenas a noite para se alimentar , orar e dormir.
Era um estilo de vida simples dedicado apenas a adoração e purificação, mas o rapaz era inquieto e tinha sede de algo novo , até que um dia aos 7 anos enquanto meditava, ele ouve alguém chamando um nome.
- DrackNael - ...
O rapaz olha confuso pros lados , ele ouviu uma voz chamar , mas era um nome que nunca tinha ouvido antes, mas não é como se a voz tivesse vindo de fora , era como se tivesse em sua cabeça , um pensamento talvez , ou ele tenha apenas imaginado enquanto estava em transe.
Então ele voltar a se concentrar na sua meditação, e quando finalmente se concentra ele ouve - Dragoon -, diz a voz , uma voz feminina doce aos ouvidos , era a primeira vez que ele ouvia uma voz feminina afinal de contas . Mas quando foca mais na voz ele a vê , a criatura mais magnifica que ele ja tinha visto em pé bem na sua frente um dragão majestoso , tinha uma cor azul fraca, devia ter uns 12 metros , as asas abertas mostrando toda sua beleza , havia um detalhe branco da sua pele que se destacava do azulado do começo do seu peito descendo pelo seu corpo se estendendo até a parte de baixo para o começo da cauda , 3 garras em cada uma das duas mãos e uma cauda com 3 extremidades cada uma com uma espécie de espinho na ponta.
-Quem é você? -, pergunta o rapaz completamente confuso , - Quem é DrackNael? -, continuou ele.
-Sou Dragoon e DrackNael é seu nome - , responde ela mais uma vez.
-Nome? eu não tenho nome os monges nunca me deram um , só me chamam de garoto -. Fala o rapaz.
-Mas é o seu nome é o que eu sei -, completa ela
- O que você faz aqui ? Onde estamos ? -, pergunta o jovem cada vez mais confuso.
-Aqui é o cosmos do seu subconsciente , onde eu vivo , e onde fica sua ligação com sua energia - . Responde ela.
-O que é você ? - pergunta ele .
-Sou um dragão , mas também sou seu esper -
- Dragão? o que é um dragão? e o que é um esper? -, pergunta o rapaz , achando tudo cada vez mais incrivel .
-Dragão é o que eu sou , minha raça e esper é o que eu sou pra você - completa ela
- Como assim ? Como você sabe disso tudo ? -, questiona ele , como se tivesse descoberto outro mundo, pois o jovem só conhecia o mosteiro e os monges eram proibidos de falar sobre assuntos do mundo la fora, pois se eles estavam isolados do mundo o rapaz também era para ser assim dizia o abade Serafim que era responsável pelo mosteiro.
-É a única coisa que eu sei -, continuou ela , - meu nome, o seu , minha raça , sua raça e meu estado - .
- Quê ? Minha raça ? Como assim raça? Sou um homem como os outros -, indaga o rapaz confuso.
-Sim você parece um homem , mas essa não é sua raça , o que eu sei é o que esta colocado fundo nos meus pensamentos , você é um ferabity , uma raça igual ao dos homens pelo visto -.
-Uma raça diferente, mas igual ? - , questiona o rapaz confuso
- É apenas o que eu sei , sinto muito - , fala o dragão com um ar doce , sua presença era gigantesca, mas seu ar era de bondade e calma , como se ambos fossem crianças de 7 anos o que Dragoon não aparentava já que era um dragão.
No outro dia durante seus estudos diarios , que eram bem simplórios , pois o abade não queria que o jovem crescesse na completa ignorância sobre o mundo , mas todos os assuntos eram bem rasos, apenas o ensinando a ler e escrever a linguagem usada no continente , as outras raças de pessoas que existiam , alguns reinos e suas hierarquias.
-O que é um dragão ? -, pergunta o rapaz ao irmão Ricardo responsável por essa parte dos seus estudos , quebrando o silêncio das suas tarefas .
- Quê ? dragão? -, ham ham, enquanto limpa a garganta meio chocado com a pergunta. - de onde tu tirou isso ? -, pergunta o homem, pois em todo o mosteiro não havia nada falando em dragões e era algo bem específico.
- Eu sonhei com essa palavra -, mentiu o rapaz com certo receio de represálias, pois tinha aprendido a confiar em seus instintos. Pois, certo dia perguntou ao abade o porquê de ele não ter um nome, - você não nasceu de nós , não cabe a nós dar-lhe um nome , se quiser um invente pra você - , respondeu o abade com certa frieza, pois todos o chamavam apenas de garoto.
-Um dragão é uma criatura mística , a mais rara e poderosa das criaturas do nosso mundo -, falou o irmão , - mas não era pra você sonhar com coisas que não conhece - , continuou ele .
-Não sei , só sonhei - , responde o rapaz.
-E um esper? o que é um esper ? -, pergunta o rapaz
- O quê? Um esper? Onde ouviu isso ? - , continuou ele , - sonhou também decerto neh ? - pergunta ele todo desconfiado , pois eram pergunta bem específicas e não podiam ter surgido do nada para ele em um sonho.
-Sim, claro de onde mais ? -, fala o rapaz com um sorriso sarcástico no rosto.
-Esper são criaturas que nascem junto com as pessoas e vivem dentro de si , algumas poderosas outras nem tanto , todos os espers possuem consciência própria , um esper pode tanto destruir a vida de seu receptáculo quanto ajudar, são raras e perigosas - , - agora cala boca e vai estudar-, terminou ele , com receio de que o abade pudesse ouvir suas perguntas e repreender os dois
Mas para DrackNael já havia sido incrível, em um dia tinha descoberto que o mundo fora do mosteiro era mais incrível do que parecia .
O tempo ia passando e DrackNael e Dragoon se tornavam cada vez mais unidos , pois eles eram um só , e não viam a hora de conhecer o mundo , e descobrir mais principalmente pela raça dos ferabity , coisa que ele não tinha pergunta mais pros monges , para não causar problemas.
DrackNael passou toda sua infância meditando , o que fez com que ele dominasse sua energia , que era a força vital das pessoas , que fora lhe ensinado outrora por Ricardo em uma das aulas , mas foi falado por cima para não instigar muitos questionamentos pelo jovem. Mas DrackNael tinha o dom , e não demorou pra ele ver o que a energia podia fazer , aprendeu a conjuração, através da energia que podia criar armas , basicamente era a única coisa que ele podia criar com energia , o que mostrava que o mundo tinha um sistema ativo de guerras e combates , pois não haviam motivos de seres-humanos poderem conjurar facas de suas mãos, mas ainda não tinha cem por cento de certeza sobre isso , então meditava , só podia fortalecer seu espirto , pois não podia tentar fortalecer seu corpo, pois era proibido no mosteiro , e com apenas uma refeição por dia não ajudava também , pois todos no mosteiro jejuavam durante o dia como purificação , acreditavam que só precisavam fortalecer a alma e quem fortalece o corpo tem intenções de usar a força e isso nunca é bom pra ninguém.
Então com sua vasta quantidade de energia e dom natural o jovem se tornou um mestre no controle da sua energia o que ela aparentava não ter fim . Então o tempo foi passando .
Então no seu 16º aniversário o abade chegou para o jovem e lhe disse , que estava na hora de escolher se ele ficaria ou partiria do mosteiro , que o trabalho deles estava cumprido e que o jovem podia decidir seus próprios passos por conta própria agora , más que ele era mais que bem-vindo a ficar no mosteiro, pois nunca foi visto como fardo. Era a primeira vez que o jovem reparava no abade ele era um homem alto com uma leve cicatriz na bochecha esquerda , como um corte , e um olhar forte e destemido , sem dúvidas um dia tinha sido alguém forte, talvez alguém o tenha acontecido pra ele se reclusar do mundo , talvez o rapaz tivesse o julgado mal e que no fundo o abade só estivesse tentando protege-lo do mundo .
Mas havia algo dentro do jovem que ansiava por partir, conhecer o mundo , pessoas , usar seu poder , ajudar quem precisa-se . Era apenas instinto, o que o movia , era instinto . Quem sabe até se tornar um rei , mas ele não sabia sobre isso , mas um dia tais palavras lhe foram ditas , ele só era novo de mais para lembra-las .
-Preciso partir ! -, responde ele com certo pesar , pois esses monges eram sua família e bem ou mal mesmo sem demonstração de afeto ou algo do tipo , mas eles cuidaram dele e o ensinaram tudo que sabia até então .
-Nós sabemos ! -, falou o abade , - sempre soubemos que você era especial de alguma forma , aqui tome -, fala o homem esticando os braços entregando algo para o garoto , - você estava enrolado nisso, no dia que o achamos , agora não parece ser nada mais que um cachecol -. Brinca o homem , era a manta cor bordo que tinha sido cuidadosamente guardada e ainda parecia ser nova. - você veio de algum lugar -, continua o abade , - Encontre-o se achar certo , não podemos lhe dizer nada infelizmente , pois você só tinha essa manta quando veio a nós , más se algo mudar pode voltar pra casa , o mosteiro sempre será seu lar -. Termina o abade
Essas palavras nunca tinham passado por sua cabeça , lar , pois ele nunca havia sentido que ali era seu lar até aquele momento , mas ele precisava partir e assim o fez.
Então o jovem entra em uma pequena canoa levando apenas alguns poucos mantimentos , suas roupas do corpo e seu cachecol e então ele entra no rio , a tristeza da partida que o fora atingido loco desapareceu , só restando a adrenalina de uma aventura em um mundo gigantesco para explorar.
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2020.09.24 01:24 henrylore NAJIYU EP 10 - Por uma vida

Sh: *atira uma bola de fogo nos dois
H: *puxa a espada e reflete a bola de fogo nele
Sh: *desvia dando dois passos pra trás
Hmmm. Nada mal, mas-
°-°
H: *troca de lugar com uma pedra e aparece atrás dele
*chuta a cara dele
EMPTY CHUTE
Sh: *chega um pouco pra trás e coloca a mão no rosto
H: *cai no chão
*levanta e olha pra ele
*aponta a espada pra ele
se você vai apelar, a gente vai revidar apelando também
Sh: ate parece-
L: MAGIA DE AR: CORTE DA LÂMINA DOS QUATRO VENTOS
*vem quatro rajadas de ar e acertam o shibaru
L: heh eu achei que você fosse mais forte...
Sh: HUWAAAAAH
*levanta uma grande quantidade de fogo
*aponta a mão pro Lusk
FEITIÇO DE FOGO: BOLA DE FOGO DO DRAGÃO
L: *desvia mas por um triz
PUPUPUPU
qual foi mané????
H: *sai correndo em direção ao shibaru
Sh: *aponta mão pra ele e atira outra bola de fogo
H: *para, e se prepara igual um jogador de baseball
*rebate a bola de fogo com a espada
Sh: °^
*bola de fogo acerta ele e explode tudo
H: *chega perto do lusk
Luskeiros ele está perdendo muito
L: ele tomou um pau da própria magia...
**lusk sente algo no pe dele
???????
*olha pra baixo e vê uma camada de pedra cobrindo o pé dele
Sh: Feitiço de pedra: Armadilha de urso
H: ele te prendeu
*corre pra cima do shibaru
Sh: *atira uma bola de fogo no Henry
H: *se prepara pra rebater quando...
**bola de fogo desvia e acerta o Lusk
L: *se solta das pedras e cai no chão
au...
Sh: agora que o moleque com mana foi contido...
é a sua vez
*da um soco na cara do Henry
H: *dropa a espada e cai no chão
ugh-
*olha pro shibaru e vê
*a cara dele séria, com chamas atrás dele das coisas que ele queimou, na noite, escura mas então...
**vêem uma explosão vindo do meio da vila
*uma camada enorme de poeira surge sobre a vila inteira
Sh: que merda é essa..?
H: Duda! é a mesma magia do trem...
Sh: de que adianta SE VOCÊS VAO MORRER
*tenta dar um soco no Henry mas para
L: *da um soco na barriga dele
eu não vou desistir, seu saco de pancada indiano
Sh: maldito...
L: EU DISSE PRA CALAR A BOCA
*faz um redemoinho no chão e joga ele pra longe
na verdade eu não disse nada mas finjamos que eu disse algo ok?
H: blz ne mano
**olham pra cima
**veem bolas de fogo caindo
H: oh no
L: mano...
Sh: FEITIÇO DE FOGO : CHUVA DE METEOROS
**os dois caem no chão
Sh: *segura lusk pela gola da camisa
você se sente o espertão né?
L: *segurando a mão dele tentando se soltar
uuuggh
Sh: heh
*puxa a mão e faz um risco de fogo cortando o ombro do lusk
*joga lusk em cima de uns barris numa vendinha
H: Lu-
Sh: e voce se importa muito com os outros aparentemente né?
engraçado...
*joga lá junto com o Lusk
*faz um pássaro de fogo
Digam adeeeuss...
H: ei, Luskeiros
L: Faleis
H: eu tenho uma ideia
L: Faleis
H: *sussurra
Sh: FENIX RENASCIDA
*atira fênix
heh foram bons oponentes
L: *usa a lâmina do vento e corta a fenix em quatro partes
é só o que eu aguento brether, minha mana está quase 0 e eu estou muito machucado
H: relaxa, agora deixa comigo
*puxa espada e sai correndo em direção ao Shibaru
Sh: ...
*puxa espada
*ataca Henry
H: *defende com a mão esquerda a espada do shibaru
*ataca com a espada na costela dele e joga ele pra trás
Sh: UGH
..
seu...
H: ...
hehe
*com a mão sangrando
Sh: GRRR
SEU MERDINHA
*levanta um monte de labaredas de chama e atinge o Henry com um punho de fogo
PUNHO DO VULCÃO
H: *sai voando e cai nas armações do festival
Sh: *faz uma bola de fogo e atira no Lusk
L: *continua escondido
Sh: *vai em direção ao Henry
H: *levanta
você é forte hein?
Sh: heh, quero ver vocês explicarem isso depois pro reino...
H: como assim?
Sh: olha tudo o que eu fiz
e que vai cair na culpa de vocês
igual vocês sendo preso aquele dia AHAUSHUEEH
em breve eu não estarei mais aqui
eu estarei longe e ninguém mais vai me atingir
porque eu terei o poder...
H: hehe
AHHSSHSHSUSHSHUEHE
é verdade
Sh: por que está rindo?
H: porque voce é um idiota de quinta categoria
*puxa um fio e revela que no chão, próximo ao pé do Shibaru, tem um microfone (praticamente a única coisa eletrônica desse mundo), e a voz dele ecoa por toda a cidade
Sh: ...
s-seu....
**luz do castelo acende
H: he-he....
*cai no chão lentamente
Sh: *faz uma enorme chama vermelha e monta um monte de bola de fogo
agora... EU VOU TE MATAR ANTES DE SER PRESO
*atira no Henry
FOGARÉU EM MASSACHUSETTS
**vem uma bomba de água e acerta a bola de fogo do Shibaru
Ne, P, Du: *param na frente do Shibaru
Sh: vocês....
Du: *segura o Henry antes dele cair no chão
*começa a usar feitiços de cura nele
Sh: O QUE FAZEM AQUI?
*puxa uma lança de fogo
Ne: é óbvio que o feitiço era da Duda, portanto ela acordou antes e acordou a gente também
P: e ai a gente veio aqui pra te socar por ter feito tudo isso
Sh: podem tentar se quiser
*atira a lança
VINGANÇA INFERNAL
P: *levanta um punho gigante de água e acerta ele contra o chão
PUNHO SAGRADO AQUÁTICO DO AMOR (em japonês é mais bonitinho acreditem)
Ne: *levanta uma pedra de gelo do chão pra jogar o shibaru longe
FEITIÇO DE GELO: ICEBERG
Sh: *vai contra a parede de uma casa
Ne: *bate a lança do lado dele e finca ela na parede
Olha só, eu posso até ter saído e ter de dado a liderança. Mas se eu voltar, EU sou a líder aqui, ok?
voce nao pode me dar ordens...
Sh: ughhh maldita...
??: Senhores??
**olham pra trás e veem o hb, o clocks e o gerbido
Hb: senhores?? o que houve?
Ne: ah, nada não meu caro guarda
*olha pro shibaru
só um fugitivo aqui
Cl: eu sinto muita mana aqui... mas essa destruição toda teve um autor
*todo mundo olha pro shibaru
Sh: grrrr
J: *cai do céu e pousa perfeitamente
já acabaram aí?
Gui: Opa, tudo bom?
P: ah então era ele que tava te seguindo
Gui: o nomad me disse um monte de coisa, eu achei daora e resolvi acreditar em vocês
Ne: entao... estamos livres?
Gb: voces provaram ser pessoal de grande coração então..
sim
L: AEEE CARAAAAACA
TAMO LIVRE
Ne e P: VOCE TA BEMM???!!!!
L: claramente meus caros, isto não passa de um arranhã-
*começa a cair lentamente
Ne: *segura o Lusk
Hb: *faz um tentáculo de água vindo da mão dele e segura o shibaru
Sh: ...
Ne: *da tchauzinho com a mão
P: henry... ele tá bem?
Du: o ferimento foi muito profundo, eu não posso fazer muita coisa
P: :(
Ne: o lusk nao ta tão machucado mas ele tá bem machucado
*com o lusk se segurando no ombro dela
P: o que a gente faz com ele????
Du: não sei...
Cl: vocês podem levar ele até a ay..
Ne: ay?
Cl: é uma nova pessoa que surgiu recentemente na vila, e a may reconhece ela pela grande capacidade de cura dela
Ne: ...
L: parece- interessante..
Cl: visitem ela antes de dar uma dormida, se pá ela ta na casa dela
P: onde fica?
Cl: na única torre da vila
vai lá depois
Gui, Hb, Cl: *saem andando pro castelo junto com o shibaru
J: ... vocês não tão esquecendo de nada?
Ne: °° O GAROTO
Du: *olha pra área e os olhos dela ficam rosas
... não sinto mana aqui
J: eu sinto a presença dele
*joga uma shuriken que voa até uma vendinha e derruba um pano que tava cobrindo ela
Gt: *caído no chão
J: *segura Guilt
hora da festinha!
**na casa da aynazz
Ne: *bate na porta
aloooo alguem aí?
??: *abre a porta
{uma pessoa bem baixinha, com cabelo branco e curto, o rosto parecido com o do lusk}
??: sim?
Ne: você é a ayyna não é?
Ay: sou
*olha pro lusk
MEE VOCE TA TERRIVEL
L: digamos que eu estive numa rinha de cavalos.
**um tempinho depois
Ay: *curando o Henry
esse corte não vai sarar completamente
*puxa braço do Henry e amarra uma atadura no pulso, entrelaçando nos dedos da mão
eu acho que isso deve durar
e o outro?
L: eu.
*senta e mostra o ombro
Ay: *cura Lusk
...
*sente algo familiar no Lusk
...
L: alo? você pode andar rápido com isso aí? eu tô com sooono
Ne: LUSK NAO APRESSA A MENINA
Ay: shhhh não façam barulho!
meus pais tao dormindo no quarto andar da torre
Ne, L, P, Du, J: QUARTO ANDAR??!
Ay: já falei pra ficarem quietos
H: *abre os olhos
hummmmm
*levanta o que rolo-
*olha pra mão toda atada
ah.
L: Brether nós conseguimos. Socamos o cara até ele esquecer o próprio nome
H: ai sim meu caro
mas onde estamos?
Ne: casa da aynazz, uma curandeira aqui da cidade
daora não?
H: hummmm
Ay: prontinho vocês tão curados
procurem não batalhar as 2 da manhã tá bom???
J: *chega perto dela
ei eu tenho um último pedido
pode ceder a sua residência pra gente fazer uma festinha pro Guilt?
Ay: hummmm??
J: aquele menino ali
pufavoooo *faz uma cara fofinha
Ay: .. beleza, mas não façam barulho vou trazer bolo
J: bolinhooooo
**um tempo depois...
Gt: *acorda
hmmmm
*olha pra frente dele e tem um bolinho com "12" em velas
H, L, P, Ne, Ay, Du, J: surpresaaaaaa
Gt: hum?
H: a gente soube que hoje é seu aniversário, então a gente decidiu comemorar!
Gt: serio?
{a personalidade do Guilt é super tranquila perante a tudo, mas como ele não conhece ninguém e ainda tá meio tonto por causa do feitiço da Duda, €.}
Gt: então vamo comer
**todo mundo: ITADAKIMAAASUUU
**tempo depois
Ay: obrigada por terem feito algo aqui, foi bem legal
alegrou minha noite
L: nao foi nada, cara dama.
Ay: eu sinto algo familiar em você
L: O QUE sera que eu sou bonitão?
Ay: meh acho que não tchau gente!
*fecha aporta
L: Hmmmm. ;-
Gt: então... agora vocês vão... embora..?
*olha pros 6 na luz da lua minguante
Gt: sabe.. foi tão daora e eu nunca tenho nada pra fazer... além de fugir
H: sabe... as pessoas se despedem, e as vezes se encontram de novo
Gt: ...
Ne: ...
por que você não vem cm a gente?
H, P, L: hummm?
Ne: sabe, pode ser legal a gente descobrir o que esse amuleto aí faz e se ele pode ser útil nas batalhas
você pode ser um baita de um guerreiro
L: ela tem razão
P: olha só
H: faz senrido
Gt: ...
eu irei!
eu entro pro grupo de vocês
Ne: aí eu vi vantagem
H: :)
e voce, john?
vai com a gente também?
J: ah cara...
*olha pra trás e vê a Duda
... eu tenho lugares a visitar mas... digamos que a gente faz parte do time
H: tudo o que eu queria ouvir
**colocam as mãos no meio
Ne: sabe.. eu tô enjoada desse negócio de ordem
eu acho que mancharam demais essa coisa aí e nos devíamos levantar nosso próprio império
H: tipo o que?
Ne: sabe... nós causamos uma tempestade aí...
e vocês sabem que tempestade de neve é nevasca né?
(claramente quer o nome dela no grupo)
H: hummm que tal Blizzard?
Ne: Blizzard? soa daora
*coloca a mão no meio
Blizzard.
H: *coloca a mão também Blizzard
P: *coloca a mão Blizardo
L: *coloca a mão
Blindado.
J, Du, Gt: *colocam a mão
Blizzard.
Ne: então tá decidido.
H: sim. *levantam as mãos
...
.. NO PRÓXIMO EPISODIO DE NAJIYU:
EP 11 - Descansamos!...Ou não. Lily, Xiulabi e Kanix!
☘️
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2020.09.21 04:57 altovaliriano Stannis Baratheon (Parte 9)

Vamos fechar A Tormenta de Espadas.
Assim como ocorreu com a tomada de Ponta Tempestade, Stannis tem muitas recompensas narcísicas ao ajudar a Patrulha da Noite. Ele se instala na Torre do Rei (que não é nenhum trono de ferro, mas já significa algo), consegue uma vitória esmagadora, captura centenas de prisioneiros, enxerga oportunidades nos castelos e terras abandonados da Patrulha e encontra Jon Snow.
Sim, Jon Snow é tratado pelo Rei de Pedra do Dragão como um sinal de R’hllor, pois seus planos inicias limitavam-se em chegar até a Muralha:
Pode ser que me engane com você, Jon Snow. Ambos sabemos o que se diz dos bastardos. Poderá faltar a você a honra de seu pai, ou a perícia de seu irmão com as armas. Mas é a arma que o Senhor me deu. Encontrei-o aqui, tal como você encontrou o esconderijo de vidro de dragão aos pés do Punho, e pretendo usá-lo. Nem Azor Ahai venceu sozinho a sua guerra.
(ASOS, Jon XI)
Stannis também está novamente em seu ambiente, se preparando para uma guerra. Em vez de estar sentado, isolado, derrotado e tendo que decidir se sacrifica uma criança para realizar uma antiga profecia, Stannis está ouvindo relatos de primeira mão de pessoas que viram o inimigo em carne (gelo) e osso. Até pelo Portão Negro o rei se interessa.
Diferentemente de estar apático e entregando o controle dos homens a outras pessoas (como estava fazendo em Pedra do Dragão), Stannis volta a seu papel de comandante com punho de ferro. Os homens da Patrulha notam facilmente a diferença entre os homens do Rei e os homens da Rainha:
Aqueles eram homens do rei, porém; Sam rapidamente tinha aprendido a diferença. Os homens do rei eram tão terrenos e ímpios como quaisquer outros soldados, mas os da rainha eram fervorosos na sua devoção a Melisandre de Asshai e ao seu Senhor da Luz.
(ASOS, Samwell IV)
O sabor da vitória na Muralha também reaviva o senso de justiça de Stannis.
O Rei Stannis mantém bem os seus homens na mão, isso é evidente. Deixa-os saquear um pouco, mas só ouvi falar de três selvagens estupradas, e os homens que o fizeram foram todos castrados.
(ASOS, Samwell IV)
Vestido como um homem comum da Patrulha da Noite, pode-se dizer que o rei está de volta a sua confortável simplicidade. Entretanto, ainda usa um broche com seu coração flamejante.
Estava vestido com os mesmos calções, túnica e botas negras que um homem da Patrulha da Noite usaria. Só o seu manto o distinguia: um pesado manto dourado forrado de peles negras, e preso comum broche coma forma de um coração flamejante.
(ASOS, Jon XI)
Eu não saberia afirmar com certeza, mas ao falar apenas do pequeno broche sem mencionar a coroa, GRRM nos dá a impressão de que Stannis estaria menos disposto a ostentar símbolos religiosos que causassem estranheza. De fato, Stannis chega a Castelo Negro portando dois estandartes, um da Casa Baratheon e outro com o coração flamejante.
Flutuando sobre eles vislumbravam-se os maiores estandartes vistos até então, estandartes reais grandes como lençóis; um amarelo com longas pontas, que exibia um coração flamejante, e outro que era como uma folha de ouro martelado, com um veado negro empinando-se e ondulando ao vento.
Robert, pensou Jon durante um momento louco [...]
(ASOS, Jon X)
Eu não duvidaria que a idéia de usar ambos os estandartes tenha vindo de Davos, pois ele já observara que o veado coroado poderia funcionar para elevar o moral dos aliados da Casa Baratheon e intimidar inimigos:
No topo das ameias da Fortaleza Vermelha flutuavam os estandartes do rei rapaz: o veado coroado de Baratheon no seu fundo dourado, o leão de Lannister sobre carmim. […] O coração flamejante estava por toda parte, embora o minúsculo veado negro aprisionado nas chamas fosse pequeno demais para se ver. Devíamos ter hasteado o veado coroado, pensou. O veado era o símbolo do Rei Robert, a cidade rejubilaria ao vê-lo. Esse estandarte de um estranho só serve para colocar os homens contra nós.
(ACOK, Davos III)
Entretanto, convém observar que, aparentemente, o estandarte Baratheon clássico é maior do que o Coração Flamenjante:
O grande, o dourado com o veado preto, é o estandarte real da Casa Baratheon – disse Sam para Goiva, que nunca antes tinha visto bandeiras. – A raposa comas flores são da Casa Florent. A tartaruga é de Estermont, o peixe-espada é de Bar Emmon e as trombetas cruzadas pertencem aos Wensington.
São todos brilhantes como flores. – Goiva apontou. – Gosto daqueles amarelos, como fogo. Olhe, e alguns dos guerreiros têm a mesma coisa nas blusas.
Um coração flamejante. Não sei de quem é esse símbolo.
Descobriu bastante depressa.
(ASOS, Samwell IV)
O que isso quer dizer? Provavelmente nada, afinal Stannis ainda está firme me sua aliança com Melisandre.
Homens da rainha – disse-lhe Pyp […] -– mas é melhor que não ande por aí perguntando onde está a rainha. Stannis deixou-a em Atalaialeste, coma filha e a frota. Não trouxe mulher nenhuma além da vermelha.
(ASOS, Samwell IV)

É como dizem. Esta é que é a sua verdadeira rainha, e não aquela que deixou em Atalaialeste.
(ASOS, Jon XI)
O rei ainda fala em entregar prisioneiros às chamas como método de execução:
– Enquanto seus irmãos tentam decidir quem deve liderá-los, eu tenho falado com este Mance Rayder. – Rangeu os dentes. – Um homem teimoso, esse, e orgulhoso. Não vai me deixar outra escolha a não ser entregá-lo às chamas.
(Jon XI)
Inclusive, quando Jon Snow aponta que seus votos o impedem de aceitar a oferta de Stannis, Melisandre apresenta argumentos inteiramente baseados em sua fé e ainda fala em queimar represeiros, em um gesto explícito de intolerância religiosa, sem que Stannis lhe faça qualquer reprimenda.
R’hllor é o único deus verdadeiro. Um juramento prestado a uma árvore não tem mais poder do que um juramento prestado aos seus sapatos. Abra o coração e deixe que a luz do Senhor entre nele. Queime esses represeiros e aceite Winterfell como presente do Senhor da Luz.
(ASOS, Jon XI)
Então por que Stannis fica desconfortável quando Melisandre declama diante dos homens da Patrulha que ele é Azor Ahai renascido?
[...] todos pareceram surpreendidos ao ouvir Meistre Aemon murmurar:
A guerra de que fala é a guerra pela alvorada, senhora. Mas onde está o príncipe que foi profetizado?
Ele está na sua frente – declarou Melisandre –, embora não tenha olhos para ver. Stannis Baratheon é Azor Ahai regressado, o guerreiro do fogo. Nele, as profecias cumprem-se. O cometa vermelho ardeu no céu para anunciar a sua vinda, e ele traz a Luminífera, a espada vermelha dos heróis.
Sam viu que as palavras dela pareceram deixar o rei desesperadamente desconfortável. Stannis rangeu os dentes e disse:
Chamaram, e eu vim, senhores. Agora têm de sobreviver comigo, ou morrer comigo. É melhor que se habituem a isso.
(ASOS, Samwell V)
A resposta mais óbvia é a de que ser a reencarnação de um herói mítico o lembra dos problemas que ele enfrentou aproximadamente 1 mês antes em Pedra do Dragão, envolvendo o sacrifício de Edric Storm.
Como dito acima, Stannis parece estar confortável em seu antigo papel de comandante militar e rei. Nós vimos a mesma coisa acontecer após a morte de Renly. O que trouxe Stannis à Muralha foi mais o senso do dever do que as previsões de Melisandre.
Sim, devia ter vindo mais cedo. Se não fosse o meu Mão, poderia nem sequer ter vindo. Lorde Seaworth é um homem de nascimento humilde, mas recordou-me de meu dever, quando tudo aquilo em que eu conseguia pensar era nos meus direitos.
(ASOS, Jon XI)
Aparentemente, Davos foi muito competente em conciliar os deveres de Stannis como herói com suas obrigações como rei sem envolver de maneira alguma a profecia de Azor Ahai:
Tinha posto a carroça antes dos bois, disse Davos. Estava tentando conquistar o trono para salvar o reino, quando devia estar tentando salvar o reino para conquistar o trono. – Stannis apontou para o norte. – É ali que encontrarei o inimigo que nasci para enfrentar.
(ASOS, Jon XI)
Esta versão agnóstica de seu propósito de vida parece ter agradado bastante Stannis e se projeta para o futuro da história, como veremos em A Dança dos Dragões. Por isso os discursos de Melisandre sobre profecias orientais parecem um pouco fora do contexto quando ele fala aos irmãos negros.
É interessante notar também que pode ser simplesmente que Stannis continue cético quanto a ser Azor Ahai. Principalmente depois que Melisandre deixou ser enganada por Davos, bem de baixo de seu nariz. Aliás, se o cavaleiro das cebolas refletisse sobre o que a própria Melisandre lhe disse sobre o dom para ver as chamas, poderia até alegar para Stannis que a visão que ele viu no fogo deveria ser uma farsa. A sacerdotisa diz que a leitura das chamas requerem anos de prática e zomba de sor Axell por ter-se dito capaz (talvez porque tenha sido ela quem forjou imagens nas chamas enquanto mostrava a ele):
– O fogo é uma coisa viva – a mulher vermelha tinha dito, quando lhe pediu que o ensinasse a ver o futuro nas chamas. – Está sempre em movimento, sempre em mudança... como um livro cujas letras dança me se movimentam mesmo enquanto se está tentando lê-las. São precisos anos de treino para ver as silhuetas por trás das chamas, e mais anos ainda para aprender a distinguir as silhuetas daquilo que irá acontecer das que mostram o que poderá acontecer ou o que já aconteceu. Mesmo então, é difícil, difícil. Vocês, os homens das terras do poente, não compreendem. – Davos perguntou-lhe então como Sor Axell tinha aprendido tão depressa o truque, mas ao ouvir isso ela limitou-se a dar um sorriso enigmático e dizer: – Qualquer gato pode fitar uma fogueira e ver ratos vermelhos brincando.
(ASOS, Davos VI)
Porém, eu não acredito que seja o caso. Davos não deve ter feito esta conexão. Caso contrário, o comportamento de Stannis seria outro. O Baratheon do meio tem uma tolerância pequena a ser feito de bobo.
Os homens da Patrulha aprendem isso rapidamente com a eleição do novo Lorde Comandante. A demora na escolha deixa o rei furioso a ponto de Stannis fazer diversas ameaças e gestos tolos de vingança, como quando ele deixa os homens da Patrulha ajoelhados por muito tempo sem dar licença para que eles levantem da saudação.
O rei estava zangado. Sam viu-o de imediato. Enquanto os irmãos negros entravam, um a um, e ajoelhavam na sua frente, Stannis afastou o café da manhã de pão duro, charque e ovos cozidos, e olhou-os friamente. A seu lado, a mulher vermelha, Melisandre, parecia achar a cena divertida.
O Rei Stannis manteve os irmãos negros de joelhos durante um tempo extraordinariamente longo.
(ASOS, Samwell V)
O rei também já havia confidenciado a Jon Snow que iria sovar o novo Lorde Comandante a fim de instalar os selvagens na Dádiva:
Vou instalá-los na Dádiva, depois de arrancá-la de seu novo Senhor Comandante.
(Jon XI)
E completa:
Não sou um homem paciente, como os seus irmãos negros estão prestes a descobrir.
(Jon XI)
Mais tarde, Samwell usa estes posicionamento de Stanis para criar um boato de que o rei pretende ele mesmo nomear o próximo Lorde Comandante. Mas não só ele. Os rumores também estão sendo utilizados pelos apoiadores de Janos Slynt.
Se permitirmos que Stannis escolha nosso Senhor Comandante, transformamo-nos em seus vassalos em tudo menos no nome. Não é provável que Tywin Lannister se esqueça disso, e você sabe que será Lorde Tywin quem vai ganhar no fim. Já derrotou Stannis uma vez, na Água Negra.
(ASOS, Jon XII)
Porém, Stannis realmente planejava interferir na eleição da Patrulha?
O rei de Pedra do Dragão fez algumas ameaças contundentes aos irmãos negros que parecem indicar que ele está realmente disposto a interferir nas escolhas da Patrulha.
[...] Seus irmãos escolherão um Senhor Comandante esta noite, caso contrário eu farei desejarem que tivessem escolhido.
(ASOS, Samwell V)
Até mesmo depois de que o processo estava acabado, Stannis continuava ameaçando remover Jon do cargo caso fosse contrariado.
[…] Disseram-me que você é o nonocentésimo nonagésimo oitavo homem a comandar a Patrulha da Noite, Lorde Snow. O que você acha que o nonocentésimo nonagésimo nono diria sobre esses castelos? A imagem de sua cabeça em uma lança poderia inspirá-lo a ser mais prestativo. – O rei pousou sua brilhante espada sobre o mapa, ao longo da Muralha, o aço brilhava como a luz do sol na água. – Você só é Senhor Comandante com meu consentimento. É bom que se lembre disso.
(ADWD, Jon I)
O clima de interferência é tão intenso que isso torna verossímil os boatos que tanto Samwell quanto Alliser Thorne inventaram. Porém, também é forte entre os irmãos a noção de que a interferência é ilegal, como afirma Denys Mallister.
Concordo que seria um dia negro na nossa história se um rei nomeasse o nosso Senhor Comandante.
(ASOS, Samwell V)
Então como explicar que uma pessoa reta como Stannis estaria tentando fazer manobras ilegais para obter um homem que lhe fosse favorável no comando da Patrulha? A resposta é bastante óbvia: ele não está.
Stannis sabe que, se quisesse, poderia facilmente dobrar a Patrulha.
Eu tenho três vezes mais homens do que vocês. Posso ocupar as terras, se quiser, mas preferiria fazer isso legalmente, como seu consentimento.
(ASOS, Samwell V)
Todo este som e fúria de ameaças e protestos são o modo que Baratheon encontrou de fazer com que a burocracia dos irmãos negros não atrapalhe a campanha que ele mal iniciou.
A Senhora Melisandre disse-me que ainda não escolheram um Senhor Comandante. Estou descontente. Quando tempo mais esta loucura vai durar? […] Tenho cativos cujo destino deve ser decidido, um reino que precisa ser posto em ordem, uma guerra a travar. Escolhas têm de ser feitas, decisões que envolverão a Muralha e a Patrulha da Noite. Por direito, o seu Senhor Comandante deveria ter algo a dizer nessas decisões. [...] Se por acaso Lorde Janos aqui for o melhor que a Patrulha da Noite tema oferecer, rangerei os dentes e engolirei esse fato. Não me importa nada quem de seus homens será escolhido, desde que façam uma escolha.
(ASOS, Samwell V)
O rei fala isso mais de uma vez.
Poupe-me de sua bajulação, Janos, que não lhe servirá de nada. […] – Não é meu desejo imiscuir-me em seus direitos e tradições.
(ASOS, Samwell V)
Quanto a Stannis ter mostrado inclinação a retirar seu consentimento com a escolha de Jon, literalmente ameaçando matá-lo, deve ser observado que Stannis poderia ter cumprido suas ameaças naquela oportunidade, mas não o fez. Baratheon provavelmente estava querendo descontar a rasteira sofrida Jon ter sido eleito antes mesmo de aceitar ou negar a oferta de se tornar Senhor de Winterfell. Por isso, todas as ameaças que fez foram vazias, assim como são quase todas, segundo Melisandre:
A mulher vermelha desceu a escada ao lado deJon. – Sua Graça está gostando cada vez mais de você.
Percebi. Ele só ameaçou cortar minha cabeça duas vezes.
Melisandre riu.
São seus silêncios que você deve temer, não suas palavras.
(ADWD, Jon I)
Antes de encerrar as análises de A Tormenta de Espadas, eu gostaria de lhes deixar com um pequena questão que eu não soube responder:
Por que Stannis lembra Catelyn a Jon?
Mas não foi o rosto de Lorde Eddard que viu flutuando na sua frente; foi o da Senhora Catelyn. Com os seus profundos olhos azuis e a boca dura e fria, parecia-se um pouco com Stannis. Ferro, pensou, mas quebradiço. Ela o olhava daquela maneira como costumava olhá-lo em Winterfell, sempre que ele se sobrepunha a Robb nas espadas, nas somas, ou em qualquer outra coisa. Quem é você?, sempre lhe parecia que aquele olhar dizia. Este não é o seu lugar. Por que está aqui?
(ASOS, Jon XII)
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2020.09.17 01:09 N0Rdestino Como acontece o Delay no Fifa ?

Como acontece o Delay no Fifa ?
Joguei Fifa por 2 anos e percebi que game não era o mesmo online, jogava 3 partidas normais e outras 20 pesadas em média, descobri que o jogo tem delay incomum na maioria dos games, então me empenhei por quase 1 ano a mapear , com base dos conhecimentos que tenho de redes de computadores e ajuda de quem é especialista na área. E hoje construir uma base teórica de como delay acontece no jogo e como prejudica o mesmo e venho compartilhar com vcs.
Tipos de Delay
No Fifa acontece algo incomum devido a má programação da Frosbite que é ter dois tipos de delay: comando e de Inteligência Artificial (IA)
Em games de esporte coletivo, a IA do npc é fundamental para o jogo pois vc não consegue controlar os 11 jogadores ao mesmo tempo (no máximo 4 jogadores controláveis) na qual também determina como os jogadores se comporta diante do seu adversário de acordo com a dinâmica do game e como ela ajuda a vc executar tarefas como de pique , chute e toque ; principalmente no Fifa em que as assistências são fundamentais para se jogar o game , se a engine não trabalha bem isso, pode se tornar um enorme problema especialmente online; ter delay de IA chegar ser “absurdo” ou “mito”, mas faz total sentido se tratando de Fifa.
Contexto da conexão do Fifa
Para se entender como acontece, é interessante contextualizar a conexão online do game e da nossa internet.
A nossa internet segue rotas para se comunicar com o ip desejado e trocar informações, isso obviamente tambem funciona nos games. O Fifa faz a mesma coisa, mas infelizmente a Frosbite tem erros de programação na qual faz com que engine não seja confiável no online ; e EA não tem mecanismos que facilite a conexão entre sua internet,game e servidor.
Um exemplo básico de conexão de game: Vc dá um comando de toque no jogo , a Frosbite vai mandar em pacote esse comando pela sua internet ate o determinado ip do servidor do game, esse pacote vai passar por determinadas rotas de trafego para que se chegue a informação do comando no servidor; assim que chega, o pacote que se comunica com o IP do server e volta pela mesma rota de trafego , esse pacote volta até seu game em forma de tradução de imagem com o comando de toque que vc deu e com o comando que seu adversário fez em jogo , tudo isso em quase centenas de milésimos de segundo.
Porém os problemas que aparecem para que esse pacote chegue no tempo certo da partida é alta ocupação do server ( por conta da má gestão de distribuição de players no server) , a suspeita que a engine manda esses pacotes de maneira quebrada e, PRINCIPALMENTE, a dificuldade para o game junto com a sua internet achar melhores rotas possíveis para esses pacotes chegarem no tempo certo. Resultado: Delay
No Brasil a datacenter é terceirizado da Amazon e vamos usar como contexto de exemplo.
Como acontece o Delay
Delay de comando
Esse delay acontece com algumas variáveis. A distancia de sua a casa até o servidor é que mais influencia para acontecer esse problema. No Fifa pode se torna um problema quando a latencia da sua internet até o server for 95ms para cima, podendo tornar o game injogavel. Outra variável são rotas: se sua internet demora para entregar o pacote especifico até o server, vai demorar mais tempo para comando voltar para seu game em forma de imagem. Problemas com servidor da EA também ocasiona delay de comando , esse em especifico é causado pelo chamado “speed lag” que resulta a perda de frames e congelamento de imagem na partida, isso acontece quando o pacote está congestionado no server por conta de problemas da mesma e demora para voltar até sua casa, até que volte esse pacote a sua imagem é paralisado até que chegue pacote que traduza a imagem da partida.
Delay de IA
O pior dos delay, talvez só exista no Fifa esse problema em especifico. Tão especifico que varias pessoas não sabem que existe e outras negam sua existência. Porém, sim acontece. Quando seu adversário chuta uma bola em direção ao gol mas a linha de chute está no seu zagueiro, o mesmo deverá bloquear o chute , de acordo com programação da IA que Frosbite dá, porem se vc estiver com esse delay , seu zagueiro não vai executar tal tarefa pois o pacote com essa informação da programação da IA ainda vai está chegando na sua conexão dentro da partida para executar o movimento. A suspeita é que a Frosbite manda pacotes diferentes para a sua conexão, ou seja, a engine manda um pacote de comando do seu joystick e outro pacote a parte da IA dos 11 jogadores do seu time ao mesmo tempo, por exemplo. A principal anomalia que faz causar esse problema são as rotas que sua conexão faz: se sua internet pegar varias e varias rotas para entregar esse pacote em especifico, vc ficará com delay de IA em relação ao seu adversário; isso significa que se mesmo que vc more bem perto do server da datacenter (3ms de latencia por exemplo) mas se sua internet pegar várias rotas desnecessárias para entregar esse pacote da IA, vc pode ter delay, ou seja, independe de distância de servers para acontecer o problema. Isso também quer dizer que mesmo que vc ter uma internet com uma ótima velocidade, não vai ser determinante para que ela não tenha delay , pois não adiantara de nada se sua conexão pega varias e varias rotas. Exemplo simples: se sua em conexão a rota do pacote enviado vai em 18 pontos de ip's até chegar o server, e se seu adversário só vai bater em 7 pontos de ip, evidentemente vc estará com delay.

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rotas do ip da amazon da minha casa , observe a porcentagem de perda de pacotes.
Exemplos de como identificar o Delay de IA
- Velocidade da partida: se vc dá o comando de pique no seu cursor (ou jogador selecionado está conduzindo a bola) e vc tem a a impressão de que seu cursor está pesado, como se estivesse correndo tijolos presos a sua pena, é um sinal de atraso, pois como a IA está atrasada o npc vai demorar para “pensar” e executar o seu comportamento que lhe foi atarefado. Outros exemplos é vc ligar a pressão e perceber o time não está chegando perto do seu adversário como deveria; correr atrás do seu adversário nas laterais e perceber que não consegue chegar perto do seu adversário mesmo com pace igual ou superior ao do jogador do adversário.
- chutes e passes fracos: a mesma regra se aplica a esse aspecto, pode se confundir com delay de comando mas normalmente com IA atrasada o jogadores demoram para pensar em executar a tarefa que foi dada; normalmente vc percebe esse problema em especifico depois que vc joga uma partida “lisa” e vai para outra com delay. O chute fica variando em toda partida chutando fraco na maioria da vezes no 90 mim mesmo o comando de chute sendo relativamente forte.
Mitos e perguntas
delay de IA não existe , são bugs e manipulação de handcamp rotineiros do Fifa que existe a tempos”
O raciocínio está correto, realmente esses bugs existem no FIFA. A diferença é que com delay de IA isso acontece com muito mais frequência ao invés de ser ocasional. Numa partida normal acontece 5% a 10% em todo 90 mim, numa partida com delay acontece 80% a 95% em todo 90 mim.
“Existe delay no meio da partida, no segundo tempo por exemplo?”
Sim, pode acontecer, por conta de variações de rota que sua internet que pode ocorrer, existe um mito que tenha Lag compensasion imposta da EA para igualar a conexão com seu adversário, não duvido que tenha mas não conseguir mapear isso bem.
diminuir a conexão me faz jogar liso?”
Pode funcionar algumas partidas, mas não são todas, o mito da compensação de lag pode existir aqui pois algumas configurações surtem efeito por um tempo e depois não pegam mais; ainda não se sabe se é sua conexão ou é EA de alguma forma manipulando a mesma.
“Vc pode está sem delay de comandos mas com delay de IA na partida ou virse-versa?”
Sim. Um exemplo é uma partida que eu participei em que minha conexão estava “lisa” mas o server começou a apresentar pequenas quedas de fps por conta do server pesado, os comandos do joystick estavam demorando para ser executados por conta disso, porem os 11 jogadores da minha equipe estava com velocidade rapida e IA normal. Isso até reforça a tese que a Frosbite manda pacotes diferentes de informações da partida ao server, e que informações de pacote de IA da sua equipe demore a chegar por ser muito mais “pesada” e mal codificado, mesmo indo pela mesma rota que trafega o pacote de comandos do joystick.
“delay não existe em outros modos de jogo, só na Weeknd League e Division Rivals”

https://preview.redd.it/1utzbi49dln51.png?width=1875&format=png&auto=webp&s=7f8b926ec0811139acbe60b6a6f9ce3f2f5048ac
ip mapeado do Division Rivals
Não, Draft e amistosos também rodam no mesmo server e com mesmo IP’s que Amazon disponibiliza, pelo menos é que acontece no Brasil , ou seja esses modos estão sujeitos aos problemas.Como eu jogo fifa no PC conseguir capturar os ips que minha conexão conversa quando estou em alguma partida, e cair no mesmo IP do server nos 4 modos de jogos diferentes dentro do UT.
IP’s da Amazon que conseguir mapear foram esses (“batam” ping para testar) :
18.230.46.98
18.230.46.96
18.239.46.140
18.230.46.104
18.230.46.95
18.229.20.140
18.229.104.225
Adendo:
1- Squad Battles também está sujeito a delay , porque esse modo de jogo roda diretamente no server da datacenter, a diferença é que vc joga contra a CPU ao invés de uma pessoa (modo semi-online).
2- o Menu do UT roda no server do EUA , então nunca teste o ip da EA como parâmetro de conexão de partidas.
“Há solução para esse problema por parte da EA ? temos como solucionar por contra própria o delay?
Sim, a EA pode solucionar o problema através des programas no servers que serviriam para filtrar ao usuários Ip’s já ocupados e os colocar em IP’s disponíveis para esses usu[arios (sistema que o Fortnite emprega hoje); muitas vezes você ate pega rotas boas mas pode acontecer muito congestionamento de trafego de usuários de fifa, isso acontece porque o jogo não seleciona os ips que estão livres para ser acessado e colocam milhares de usuários em mesma rede de IP’s , o que congestiona o trafego, exemplo um range de ips 18.229.104.0 pode chegar mais de milhares de usuarios ao mesmo tempo requisitando esses ip's do servidor sem nenhum tipo de filtro; inclusive isso explica o DC no meio da partida, nada mais é a EA lhe desconectando para que outro usuário possa jogar uma partida. Abrir novos datacenters ajuda também, mas com esse artificio de filtro pode-se resolver e muito os problemas de delay.
Infelizmente ainda não se tem métodos fáceis para resolução por conta propria, o que se tem de solução hoje é contratação de um link de internet dedicado na qual a operadora der suporte para configurações especificas conexão , editar e traçar rotas alternativas para sua internet trafegar limpa. Porem é muito caro por ser um serviço especifico. Eu tentei de tudo , de diminuição de velocidade da internet até o uso de VPN’s , o que deu certo foi uso de VPN especifico pago , mas já testei em outras residências e não funcionou em 80% dos lugares testados , ou seja , também varia de lugar e de internet.
Todo mapeamento que fiz, do que pode ser o maior problema do game hoje, demorou muito com inúmeros testes feitos, o delay ainda é algo que não é facil detectar e até vendo videos na internet sobre assunto tem que ter olhos clinicos vendo algum criador de conteudo tendo esse problema; e sim hoje em dia eu posso jogar liso e no delay na hora que eu quiser por conta das minhas configurações que eu descobrir e fiz para isso; e por conta dessa condições conseguir mapear o delay e formular algumas teses sobre isso, mas é uma pena que a comunidade ainda pouco se interesse pelo assunto e que a EA não esta interessada em solucionar o problema.
Att.
Rafael “n0r_destino”
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